segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Verdades sobre aquela noite

Decidi ir domir cedo, queria esquecer tudo que se passava na minha cabeça. Quis esquecer as conversas, as verdades, as dúvidas. Quis enterrar no sono uma indecisão que eu sei que não desaparecia enquanto estivesse ciente de tudo. Deitei. Encostei sobre o travesseiro minha cabeça que latejava de rancor e medo. Deitei sobre o colchão meu corpo, que morno já não sentia mais nada. Demorei até dormir quando finalmente consegui esquecer minha angústia. Na verdade apenas por alguns minutos. Durante a sonolência pequenas e desatentas visões, que sopravam como névoa em meu rosto e não tinham a menor explicação. Quando dormimos somos felizes, não sentimos dor, não choramos, sonhamos apenas quando estamos acordados, e as visões que temos durante à noite são apenas chamadas perdidas de nosso cérebro inquieto. Quando dormimos perdemos a noção do tempo, das cores, e dos sentidos, tenho pena daqueles que não conseguem dormir, e tenho pena de mim quando vago pela casa sem sono. Foi quando no meio da madrugada acordei, talvez por que já não tinha mais vontade de dormir, talvez por que a fome tenha me acordado. Fui até a cozinha preparei um café e ao sentar na sala esperando a cefeteira realizar sua obrigação, reparei na vontade imensa que tive de sair de casa, e os mesmos sentimentos infelizes voltaram como um peso imenso sobre os meus olhos e minhas costas. fui até os quartos certificar-me de que todos estavam perfeitamente dormindo, e após isso fui beber o café forte. Liguei a Tv por instinto, mas não reparei em nada que me agradasse. Fui até a janela e percebi alguns vizinhos meus que ainda àquela hora estavam acordados. Tenho pena, na verdade não é "pena" e talvez sim um carinho amargo, por alguns vizinhos meus. Tenho uma vontade longínqua de querer poder ouvir o problema de todos eles e de alguma forma intervir ajudando-os. Fico pensando neles e quando penso vejo que não é apenas eu que tenho problemas, mas muitas outras pessoas com problemas muito maiores que os meus. Ao voltar para o sofá comecei a pensar no que tinha acontecido comigo na tarde do dia anterior, e fiquei angustiado e surpreso ao perceber que dali por diante minha vida não será mais a mesma e talvez seja essa mesma surpresa que esteja me deixando atônito até agora. Aquela foto, aqueles sorrisos, aquela moça, aquele rapaz, aquela dúvida, depois a certeza e logo após veio a confirmação. Uma facada em meu peito e uma destruição em tudo que eu tinha construído pra mim durante todos esses longos onze anos. Tentei superar, tentei arrumar uma solução rápida e drástica, mas eu não sou desse tipo rápido e decidido. Depois de tentar encontrar algumas soluções entre um gole de café e outro, voltei para cama. E quando deitei meu corpo quis um abraço forte, implorando por um consolo. Chorei durante longos cinco minutos, creio eu. Por tudo que agora estou me tornando quero poder consumar o que me destroi. Tenho medo, e o medo é a pior das qualidades para os fracos de coração.

-Estevão Eduardo -

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