segunda-feira, 29 de março de 2010

Não é o melhor que eu fiz pra você, mas é pra você todos esses pensamentos.

A cidade sobre a lente dos meus olhos é tão solitária. Cheia de desejos amargos, repleta de visões belas e assustadoras. Com um toque de medo eu abraço a vida de uma forma contraditória, tentando deixá-la o mais pequena possível diante dos inúmeros planos que eu fiz pra nós dois. É nas ruas por onde eu passo que eu deposito a esperança de um dia te encontrar novamente, assim como aconteceu hoje. E que eu consiga não apenas falar, mas colocar nos teus olhos o brilho que você me deu. E que você consiga trazer de volta pra minha vida o sol, pois na escuridão da cidade solitária é onde eu estou preso. Pessoas refletem a face que eu tanto espero encontrar nas paradas e ruelas desses lugares. Todas com suas histórias melhores ou piores que a minha, porém nenhuma igual ao que nos aconteceu. Eu desejo que todo o amor que eu guardei pra você seja lhe dado, mesmo que não seja por meio intermédio. Eu desejo não chorar nas ruas à sua procura. Eu desejo amor verdadeiro pra todos que eu encontro e que gravitam ao meu redor. Quero parar o tempo e fugir pra um lugar escondido, onde apenas as luzes seriam nossa proteção e o som do mar nosso guia, eu quero poder dizer do lugar mais alto da cidade: eu te amo.

- Estevão Eduardo -

quarta-feira, 24 de março de 2010

Longe de casa

Desculpe-me caro leitor, mas já por um longo período de tempo eu estou fora de mim, num ato incomum de indiferença completa. Fazendo planos que me levem a sentir uma dor física profunda e que me façam por um momento crer que eu ainda estou vivo. Tentando esconder no sono a preguiça, ou seria covardia, de pensar no que poderia acontecer quando acordar. Esse tem sido o maior período de tempo que passo longe de mim mesmo, tentando encontrar caminhos que me levem de volta a luz. Em pequenas palavras, atos e conversas desconexas venho trazendo lágrimas soltas pra fora de mim, num repentino sentimento de falta, falta do que sentir, ou estranheza de esconderijo, escuro porém inquietante. E não há sequer uma só gota de amor dentro do que eu chamo de corpo, um só pedaço, ou até resto, do que eu venho buscando incessantemente dentro do ovo e familiar, porém desconhecido, mundo velho. Estou voltando ao meu casulo, ao meu mundo de incertezas impróprias, de desejos soltos e quebrados, de egoísmo prático e sofrimento alheio. Pretendo estar acordado o bastante quando perceber que a vida é mais do que apenas seguir algo ou alguém, mas talvez seja respirar e poder perceber com o passar do tempo que o que ficou pra trás foi mera coincidência do destino e o que vem pela frente é o sabor e o desgosto necessário a todo ser humano que se diz vivo.

- Estevão Eduardo -

quinta-feira, 18 de março de 2010

cartas ...

Sempre quis escrever uma carta de amor. Envia-la para alguém que fizesse meu coração bater de ódio por não prestar atenção em mim quando falo, alguém que simplesmente pudesse me abraçar e deixar em mim seu cheiro pelo resto do dia. Gostaria de escrever nessa carta que eu não consigo viver sem aquela pessoa, e que seria necessário o mundo inteiro para nos separar. Poderia acrescentar que de vez em quando eu tento até esquecer que amo, mas algo maior dentro de mim, leia-se amor, não deixa. Poderia começar falando das desventuras que enfrentamos e de quanto tempo durou até que reconhecêssemos um para o outro que sim, nós nos amávamos. Entre algumas linhas, em pormenores, poderia recitar uma frase de algum autor ou quem sabe um trecho de um música que talvez tivesse embalado algum momento nosso. Não sei ao certo quantas folhas seriam necessárias para mostrar o imenso sentimento que guardo e que se resume em apenas quatro palavras. No final poderia, quem sabe, colocar promessas e esperanças sem fim. Prometeria ficar ao lado da pessoa que amo pelo resto da minha vida e dizer talvez que eu prefiro morrer a ter que te perder. Colocaria nela algum símbolo maior do nosso amor, algo que poderia nos representar ou até juntar o fato de sermos dois contra todos. Perfumaria ela com o meu cheiro, para que ficassem em sua memória o cheiro de seu amado. Colocaria a carta próximo a algum objeto seu ou talvez até lhe entregasse pessoalmente fazendo você prometer que não leria até que nos separassémos. Agiria como um tolo, escreveria besteiras, choraria como uma criança, escutaria sermões e daria a vida pelo simples motivo de ter sido amado por alguém como você. Sempre quis escrever uma carta de amor... mas talvez eu não tenha encontrado a pessoa certa para endereçar essas palavras, ou talvez você se recuse a recebê-la.

Silêncio.

- Estevão Eduardo -

As flores do amor

Se é amor não é pecado as flores desabrocharem no outono. Ou quem sabe as flores pudessem ao invés de sumirem no inverno, poderiam dar o ar de sua graça no momento em que talvez eu mais precise delas. E a chuva parece agora não mostrar que é pecado pensar em alguém como você perto de alguém bobo como eu. E talvez aquelas conversas de melhores casais se apliquem a realmente quem pensa em casar, ou que talvez tenha sorte de encontrar alguém que não seja perfeito para formar o "casal". Me parece pecado me pegar em frente ao desejo retirando a mácula da dor de dentro de mim. E as vezes me parece extremamente tolo contar as horas de trás pra frente na esperança do tempo voltar para o inesperado, o inaceitável. Acordar querendo carinho e se prostrar em frente ao espelho, nadando em àguas salgadas não é tão divertido quando tudo que me consome parece errado. Palavras tristes sentadas e expostas sobre o sofá são o necessário para a desaprovação de toda uma vida, e não é raro encontrar ela me dizendo que eu sou apenas menos um. E tudo que eu gostaria agora é que as paredes pudessem falar ao invés de apenas escutar. Diga-me apenas isso. Diga-me que tudo irá mudar. Prometa-me sempre que as flores do outono não cairão, e que por apenas um segundo eu posso apreciar a beleza que é amar alguém que peca por amor, assim como eu.

- Estevão Eduardo -

domingo, 14 de março de 2010

Ela é assim...

Ela era assim, confusa e tola, inteligente o suficiente para ser ousada. Ela queria dominar não o mundo, mas os pensamentos de alguém que quisesse apenas compartilhar com ela o desejo de estar junto. Ela é assim, a parte mais bonita de algo tão maior que não pode ser mencionado. Ela sonha e faz desses sonhos uma nuvem de algodão rosa. Ela quer amar e sofre de amor por não poder ser amada. Ela chora e suas lágrimas não voltam a não ser que tragam respostas. Ela é tudo o que eu seria e mais um pouco.

- Estevão Eduardo -

Ele não chora por mim

Hoje eu chorei. Chorei sem entender como alguém que se diz tão amoroso, não vê beleza no amor, mesmo que seja um amor diferente. Não entendi como alguém que ama seu próximo, torna-se impuro, tão quanto um assassino, apenas por amar outra pessoa. Na verdade eu não entendi quando você disse que me amava e ao mesmo tempo me condenou ao nosso inferno. Não quis perguntar aos seus amigos porque toda aquela chacina, se tudo estava tão errado, como não podia estar certo? Suas palavras, mesmo que sábias, por meio de seus mensageiros, me fez sentir nojo de mim, me fez querer morrer e matar isso que toma conta de mim. Se isso não é certo, eu tenho toda certeza de que você poderia mudá-la, mas você insiste em apenas dizer que irá me matar, se eu ceder. Ou será que eu irei me matar? Você deixará pessoas confusas, solitárias, que necessitam de atenção, e que apenas erram por amar, morrerem da mesma forma como morrem os estupradores? Por sua causa eu choro toda noite, e sinto um ódio tremendo em forma de nó dentro de mim. E talvez eu até coloque a culpa nos meus pais, afinal não foram eles quem erraram? Mas por que eu tenho que ficar cego por causa deles? Eu não tenho ódio de você, mas não entendo seus caminhos. E se eu ceder por amor, talvez eu nunca venha a te ver ou quem sabe conhecer você pessoalmente, mas eu não aguento carregar o peso de querer ser amado. Eu não aguento ver que meus irmãos, minha outra face, pessoas tão boas, mas tão confusas, não irá encontrá-lo apenas por estarem escolhendo um caminho diferente. Você me deu liberdade o suficiente pra eu colocar a corda no pescoço e me matar. Você colocou água o suficiente em nosso áquario, para que assim pudéssemos nos afogar em nossos próprio desejo. Hoje eu chorei. Mas você chora por mim?



- Estevão Eduardo -

E que da sua jovem pele brote borboletas azuis

Talvez seja minha juventude, minha tola juventude, que me faz querer ver através dos meus olhos, o que outros querem falar por mim. Talvez seja minha juventude, bárbara juventude, que me faz querer respirar e sentir as cores mudarem de estação por entre as nuvens. Talvez seja minha juventude, bela juventude, que me faça querer ser maior, maior do que aquilo que meus pais planejaram pra mim, maior do que eu mesmo tenha construído dentro dessa alma tão pequena. Talvez seja minha juventude, ardente juventude, que me desencaminha e que me faça cair no desejo de querer amar mais de uma vez milhões de pessoas. Talvez eu ponha a culpa nos céus, por estar agora preso entre a suja juventude e a responsabilidade de encarar o desconhecido. Esqueça o passado, sente e respire fundo, talvez você consiga enxergar por entre meus olhos, que por serem jovens demais nada sabem, que um dia talvez eu queira permancer assim frio, calado e retrógrado. Não me impeça de querer abrir minhas asas, não impeça o vento de chegar ao meu rosto, não queira banalizar o belo, que por ser sujo é tão atraente. Não queira adiar minha entediante vida adulta, me deixe viver, me deixe cair, deixe-me sentir essa fria, aborrecida, linda e clara juventude.

- Estevão Eduardo -

Eu já caí e já to no chão

Por que você insiste em permanecer intacta em seus movimentos? Por que você parece superar a perda antes mesmo que ela aconteça? Você está à espera de que eu torne a nossa vida insuportável, mas continua morna em suas atitudes, atormentada por um furacão de pensamentos inversos. Minhas palavras soam como facas em você, e nós dois temos a certeza de que no final a luz do túnel sempre estará apagada, isso é tudo. Amanhã você acordará feliz por eu ainda fazer parte do que não faz parte de mim, e eu estarei assim, vazio e previsível esperando que você me diga, de alguma forma, algo que me parece um consentimento. Você faz planos futuros pra mim e esquece que aqui dentro bate um coração cansado de sofrer e ávido por amor, que bate e nasce como um desejo fraco, até que se torna intenso. Você me prende de voar e tem medo que eu caia. Mas eu já caí e não tenho medo de levantar pra ver o sol nascer, e eu estarei errando e dando pulos de sobrevivência enquanto Deus decide quando irá acabar com tudo.

- Estevão Eduardo -

terça-feira, 9 de março de 2010

após a noite de sábado.

A realidade ultrapassa momentos de alegria forçada. Vai além de idas a cinema, com amigos antigos, ultrapassa o sentido momentâneo de repouso. A realidade impera na solidão, quando a cabeça vazia e morna decide que irá nos culpar por nossa condição. Grita na pele o desejo genético, e humano, de querer estar junto e ser amado. O pesadelo não está na realidade, está no fato de querer escondê-la ou tentar sacrificá-la em nome de "bons" momentos. A realidade é encarar o medo de querer ser feliz, todos os dias, embora nem sempre seja aceitável a todos. É esperar que tudo que sonhamos aconteça num dia de sol. É desejar que amanhã seja um dia melhor e que nossos parentes não sofram de culpa por nós. Não será uma tarde, ou quem sabe uma noite, com boas companhias, que irá mudar o que está dentro de mim, o que me impede de querer, por um apenas um minuto, ser feliz. Talvez se trate de amor, mas talvez vá além disso, quem sabe não tenha nem um nome, ou talvez até tenha, mas por medo dos leitores, eu não queira dizer assim...

- Estevão Eduardo -

domingo, 7 de março de 2010

A vida fora da montanha

No alto da montanha morava um pássaro. Um pássaro lindo, com penas azuis e brancas que na luz do sol refletiam um dourado radiante. Ele vivia sozinho, não por opção própria, mas por uma fatalidade. Ao nascer sua mãe o abandonou enquanto dizia ir procurar alimento, e um certo dia ela nunca mais voltou. O pássaro ao crescer não entendia o porquê de sua mãe ter lhe abandonado e nunca mais ter voltado ao ninho que construíra, ele indagava-se, à medida que ia crescendo, se sua mãe o tivesse deixado por conta própria ou se ocorrera um incidente que a impediu de voltar. Ao longo do tempo o pássaro foi se acostumando a viver só, mas na verdade não era algo que lhe agradara, e o fato de ter sido deixado só muito cedo o impediu de aprender a voar, ensino passado de mãe para filho. Por muitas vezes tentava abrir as asas e alçar voo, mas detinha-se na insegurança do desconhecido, e ao olhar para baixo a altura o fazia temer a morte. Dias e noites passavam e o pequeno pássaro continuava só. Um grande gavião que lhe observava desde pequeno notou-o e decidiu ajudar-lha somente no necessário, ou seja, trazia-lhe diariamente algumas minhocas e pedaços de frutas, essas que os pássaros tanto adoram, e deixava-lha na beira da montanha toda manhã, sem exceção. Por várias vezes o pequeno pássaro tentara conversar com o grande gavião, pois via nele uma possibilidade de aprender a finalmente voar, mas o gavião ignorava-lha solenemente, e nem dirigia-lhe a palavra. O pássaro não entendia o porquê apesar do gavião se importar em não deixá-lo morrer, mas ainda assim evitava qualquer aproximação. Aos poucos foi se acostumando ao que não entendia. Mas a vida no alto da montanha era tediosa, ao ponto de a única diversão que o pequeno pássaro tinha era de ter um monólogo consigo mesmo, ou no desespero da solidão ter inventado jogos nos quais não necessitavam mais de um participante. Ainda com o tempo o pequeno pássaro aprendera a arte de olhar a distância, qualidade essa que não lhes é ensinada, e sim atribuída ainda na gestação. Do alto da montanha o pequeno pássaro observava outros pássaros alçarem voo, brincarem uns com os outros equilibrando-se como bailarinos no céu. A vida lá encima era tão bonita e a terra lá embaixo parecia tão frondosa. O pequeno pássaro sentia muitíssimo pesar por não poder voar e com o tempo a sua vontade foi aumentando e as tentativas de voo foram prolongando-se, mas o medo de morrer ainda assim tornava a ser maior. O pássaro começou a pensar quão seria triste se ele morresse ali encima da montanha sem nunca ter tentado, sem nunca ter ao menos aberto as asas no infinito que é o nada, porém mais uma vez a morte parecia-lhe muito perto. À medida que ia crescendo sentiu a necessidade de interagir com outros pássaros, e até um sentimento estranho apossou-se dele, algo como uma forte vontade de ser abraçado por enormes asas, de ser protegido em dias de chuva, de ter outro pássaro que enxugasse suas penas enquanto descansava. De longe outras aves o avistavam, mas a sua condição, ali no alto da montanha, assustava bastante alguns outros. O pequeno pássaro queria voar, queria conhecer o mundo, a terra, o céu, queria poder estar com outros pássaros, queria poder sentir o vento em sua asas, correr o perigo de ser capturado, sentir o bico de outro pássaro em seu bico. Queria ser um pássaro de verdade, ao invés de apenas existir. Após alguns dias, em sua longa jornada de trazer alimento ao pequenino, o gavião avistou algo inesperado que o deixou bastante assustado, o pequeno pássaro já não estava mais no ninho dormindo, como sempre, agora ele estava no céu, mas não no céu que conhecemos, o qual está sobre nossas cabeças, mas um céu maior de descobertas infinitas, de um sono profundo.

- Estevão Eduardo -

quinta-feira, 4 de março de 2010

Infinito

Fazer acontecer é viver na espera de algo inesperado. A solidão é o encontro de um mundo com ele próprio, e pela janela da alma quem sabe um dia talvez todos nós nos joguemos e acabemos de uma vez por todas com as inseguranças da nossa vida imperfeita. Vivemos na espera, não sei por quanto tempo...

- Estevão Eduardo -

Mad about the boy

Quem sabe ele não durma a noite esperando que algo aconteça e faça brilhar? Quem sabe ele não seja mais uma alma confusa? Quem sabe se ele não se perdeu por entre as árvores do bem e do mal? Acaso você sabe se ele um dia já gritou de dor? Por acaso sabemos se por ele ninguém nunca chorou? E quem sabe talvez ele possa realmente flutuar sobre as águas? Será que ele sonha com a Lua ou com Monstros? Será que ele é um pássaro sem rumo? Saberemos algum dia, por estranhos, que ele talvez tenha medo de pessoas más? E por você será que ele nutre amor ou ódio? Ele anda de ônibus na esperança de te encontrar? Será que ele já amou mais de uma? E as maldades dele, foram todas pensadas minunciosamente ou aconteceram pela inocência de um anjo revoltado? Por que ele solta fogos quando se vê? Ele se olha no espelho e sente vergonha? Porque ele nunca olhou por nós? E se ele existir apenas em nossos sonhos? Será ele uma visão longíngua de esperanças nunca realizadas? Quem sabe talvez ele seja mais uma parte minha perdida dentro de mim. Quem sabe ele eu seja em forma de outro.

- Estevão Eduardo -

terça-feira, 2 de março de 2010

Despedidas

Fique com as lembranças salgadas pra você. Tome a água que você deixou no copo sobre a mesa e descanse a cabeça tentando não lembrar o quão solitário você me fez. Vá até o banheiro, jogue minha foto fora e despeje sobre o lixo aquelas cartas que você costumava guardar na gaveta. Rasgue todas as páginas dos livros que escrevemos. Quebre a música que tocava enquanto fazíamos amor. E não se esqueça de tirar de debaixo da cama aqueles cigarros. Durma e veja como é bom não lembrar de nada, porque por enquanto até nos meus sonhos você está.

- Estevão Eduardo -

Mais uma de desejos insensatos

Poderíamos formar um time. Seríamos apenas nós dois contra o mundo. Contra a pressão de ser invisível num mundo de aparências. Poderíamos trocar ideias sobre as roupas das pessoas, ou como elas falam, talvez até demos risadas altas e faremos inveja aos outros, sobre o amor que construímos, tão alto quanto as estrelas que agora dormem. Poderíamos sair essa tarde e deixar o mundo desabar com seus problemas, por que quando estamos sós, somos apenas dois, e o mundo é apenas um. Iríamos a igreja ouvir os sinos tocarem às dezoito horas, anunciando a chegada do nosso fim, e lá mesmo poderíamos culpar a Deus por nos apaixonarmos. Quem sabe até iremos a alguma biblioteca, se é que existe alguma nessa cidade de pessoas descrentes, para poder discutir com os escritores e até dá-los ideias sobre nosso amor. Eu quero fazer você brilhar a cada momento de gozo que você me dá. Fora de mim você é apenas mais uma pessoa, dentro de mim, você é um pedaço meu, fora e dentro. Iremos à praia e sentaremos na areia fina esperando que de alguma forma o sol vá embora e traga de uma vez por todas as estrelas, que por tanto tempo se esconderam dos apaixonados. Dormiremos em silêncio, e com a cabeça encostada no teu peito ouvirei as batidas não de um coração, mas de uma alma que ama. E juntos seremos uma carne envolta pelo desejo de ser apenas feliz agora e até quando durar a morte.

- Estevão Eduardo -