sábado, 21 de novembro de 2009

No final

Eu vomitei tudo o que eu sentia enquanto nosso amor ainda era vivo, pelo menos em mim. Eu coloquei pra fora o clímax dos meus medos tingidos de sangue. Eu vi passar pelos meus olhos, rápidas como a morte, imagens de quando ainda éramos amantes. Eu deixei que você vivesse a realidade, enquanto me prendi no sonho que você construi pra nós dois. Tive que reinventar nosso amor por diversas vezes enquanto ainda éramos estranhos uns aos outros. Inventei situações bobas que me fizessem acreditar que um dia ainda pudessémos desfrutar do amor juntos. Pintei de cores azul, branco e cinza o local que seria nossa moradia. Tingi meu coração de esperança e meus pensamentos de sonhos. Deixei que nós esperassémos o destino cobrir com um manto, o que ele mesmo uniu. Derrubei sobre o chão da sala lágrimas, mas isso foi há muito tempo atrás, ainda quando éramos apenas luz e escuridão. Deixei para as nunvens que te rodeiam a beleza do sol. Quando já advinhado você reaparece, com o mesmo dourado e manto de sol que me fez apaixonar. Em vozes você seria simples e nada mais. Isso basta pra quem ama.

- Estevão Eduardo -

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sem títuloo.'

E os dias passam desconexos. Sem respostas. O
silêncio dentro de mim é assustador. Sinto que deixei escapar a felicidade por
entre os dedos do orgulho, as mãos cheias de medo. Meu amor não tem nome, quem
sabe um dia inventem um nome para aquilo que nem eu compreendo.
- Estevão Eduardo -

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Reações de compensação

As cores eram azul claro, cinza, vermelho e sépia. O menino era jovem, alto e bonito para sua idade. O local era escuro, iluminado apenas pelo sol crepuscular que invadia a janela coberta pela cortina. Deitado sobre o sofá a situação nada mais era que melancólica. A música que tocava era "Sometimes" do grupo My bloody valentine, baixa porém inquietante, e por um átimo de segundo os intrusos não ouviriam mais o som que acabava-se. O sangue escorria lento pelas almofadas. A prova do auto crime encontrava-se ao chão. Quem viu não entendeu, não como, mas o por quê. Na parede via-se escrito de giz de cera azul a seguinte frase: " Não há o que entender, somente há o que sentir, e nesse momento eu não sinto mais o que deveria. E se for pecado tentar sentir a vida, eu sinto muito em ter pecado. Morte e vida complementam-se. Eu não morri em vão. Morri buscando a vida." Os que entraram subitamente não sabiam se olhavam a mensagem ou seu escritor. Mas sabiam que aquele momento não era um simples momento. Era um encontro de compensação entre viver e morrer. A onda de suicídios na cidade começou quando um só morrera. E por intermédio de uma só morte vários descobriram a vida.

- Estevão Eduardo -

O feriado

Os sonhos estavam todos sobre a cama e foi difícil pra mim ter que encara-los de forma com a qual eu pudesse lidar com a falta que os mesmo sonhos me fazem lembrar. Não foi culpa nossa, apenas fomos vitimas de algo que sobrepôs os sentimentos, matando algo mais lindo, mais sincero, porem impossível. Meus livros, minha única companhia nessa tarde insossa, estavam ao meu lado quando me veio a sensação de sua presença ali, ao meu lado, abraçando-me quando eu mais precisava. Dormi. Meio acordado sentia suas pernas entrelaçadas às minhas. Suas mãos tocando as minhas. Seu corpo quente cobrindo o meu gelado. E mais uma vez sonhei, como sempre, agora acordado. Me enganei durante minutos esperando o impossível, o inacreditável ocorrer. Não ocorreu. Acordei. Por mais que quisesse permanecer ali, a realidade me chamava sonolenta, pedindo para que acabasse a farsa. E minha vida voltou a funcionar como antes. Insossa, monótona, pecaminosa, permeada de hábitos inúteis. Quis fugir. Quis morrer. E por um minuto quis você. Ali tão próximo quanto a vontade louca e suicida que me latejavam a mente vazia. Músicas não eram mais ouvidas, na realidade não há músicas. Há o silêncio que corrói, que dói. Pus minhas mãos sobre o rosto e tentei identificar-me com o ser que esperava continuar sendo. Pus os pés no chão e caminhei até o sofá. Olhei para o nada e minha mente era inabitada, era vazia, como meus sentimentos naquele momento. E por você eu quis não ser, e ser o que não queria, quis você sendo o meu ser, dentro, fora, sussurrando o amor e desbravando o silêncio que bate e quebra minha alma.

- Estevão Eduardo -

sábado, 5 de setembro de 2009

Agora

Eu poderia estar com você agora. Eu poderia querer ser o que você sempre quis que eu fosse agora e sem demoras, pra você, por mim. Eu poderia rolar sobre seu corpo todo sem medo. Eu gostaria de parar esse enjoo que me faz sua falta. Eu queria poder olhar para seu rosto nesse momento. Eu gostaria de poder estar com você agora em vez de estar escrevendo sobre você agora.
Silêncio..'

- Estevão Eduardo -

Faça acontecer

Agora eu não tenho nada pra fazer, e eu odeio esperar que algo de bom aconteça e pincele meu quadro. Torço para alguém aparecer e colocar amor na minha vida insossa. E com a chegada da maturidade me sinto agora só. Forçado a viver pelas esquinas a procura de algo que me deixe alegre. Eu to esperando a vida vim. Eu to esperando a vontade de ver vim. Eu quero o amor simples assim, como você quis eu quero. E se pudessemos apenas parar de pensar eu gostaria de poder pensar em você. Mas agora eu não penso, eu apenas respiro e vegeto a cada minuto sem que algo aconteça de bom em mim, pra mim. E hoje tá insuportável viver a vida de uma forma alegre sem que algo de alegre aconteça. Portanto venha e faça acontecer.

- Estevão Eduardo -

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Seu medo

Quando você me olha eu sinto dúvida, porem mais que isso, eu sinto medo, mas não meu, esse medo é seu. Medo do que dirão, medo do que virão. E o medo é o motivo pelo qual uma pessoa deixa de concretizar aquilo que tanto sonha, ou que deseja. Você deseja, mas tem medo do medo. Eu caio ao chão ao perceber cada olhar medroso e obscuro da sua parte, e a luz que sai de mim escurece por você, pra você. E me machuca, mas te machuca?! Creio que sim, pois o medo rasga quando tentamos ter coragem, mas quando rompemos a linha do amor e medo, percebemos que temos medo o suficiente para ofuscar o amor. Você é o que eu sou. Eu sou o que você quer. E você quer o que eu mais quero. Tente viver, partilhar da mentira que você está construindo. E pra isso eu desejo à você toda sorte do mundo. Talvez assim você esqueça o medo muito antes do que imagina e se entregue a alguém que não precise te amedrontar.

Eu quero você pra mim, só pra mim.
Eu quero você agora, mas do que qualquer outra coisa.
Eu quero poder querer ter você, sem seu medo.
Eu quero e quero.

- Estevão Eduardo -

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sofreguidão

Mesmo se você não existisse eu te criaria
para sentir a imensa falta que seu amor me faz.
- Estevão Eduardo -

A troca

Eu to cansado de tropeçar tentando caminhar. Eu to cansado de pensar que um dia viverei livre do modo como fomos feitos para viver. Eu me entretenho com as lembranças que você deixou fora de si. Com as leituras que faço julgando pensar um dia discuti-las com você. Eu to cansado de descumprir meus compromissos em busca do acaso que voltaria. Eu penso está vivendo sem mim, por mim. E quando penso vejo que estarei sempre preso naquilo que desconheço e que me mata, e que clama por algo que infelizmente não alcanço. Seria minha culpa dizer que nunca estarei ao seu lado quando você mais precisar. E quando sol se pôr eu espero que você não me esqueça, mesmo que eu não esteja lá para te buscar. Só me peço que não desanime. Só me peço que estarei vivo para presenciar o encontro do desconhecido com o passado e verei um brilho brotar do céu, provavelmente estrelado, e pensarei quão inocente fui em achar que o brilho não brotaria do seu céu, mas sim de outro. E sim, talvez eu voltarei pra lá. Quando pensar em nós, pense em como fui importante em sua vida, e como foi importante na perda da minha.

- Estevão Eduardo -

domingo, 9 de agosto de 2009

Pode ir.

Por que ser gentil com você agora?! Você nem aparece em minha vida da forma como eu queria. Vem e destrói o que eu demorei dias construindo. Desbrava cada parte do corpo de outro. Passa dias fora. Quando volta quer amor. Amor, to cansado de te amar. Na verdade já cansei faz tempo. Pra você eu deixo meu nome e a lembrança do meu rosto, e nada mais. Pode ir.
-Estevão Eduardo -

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Obsessão

"E quando eu não estou pensando em você, inconscientemente, estou pensando numa forma de esquecer você. Porque há algo em você que me pertence. E o coração não é objeto de furto."
- Estevão Eduardo -

Viva

Não quero mais a sujeira da vida indecisa da água que jorra incessante procurando a fonte de volta a vida. Não quero crescer e ver um dia fotos antigas que me lembrem a imaturidade de uma vida indecisa. Não quero a incerteza das horas passadas que me foram atribuídas sem você nesse estória. Eu quero a vida pura e doce sem o sabor amargo e insosso da indecisão, da preocupação. Sonhar e não acordar, viver de sonhos para ter o que falar quando despertar, se é que despertarei. Amor, palavra doce de sentimentos duros e amargos. Retribuídos de forma incerta, mas necessária a todos que sofrem para sentir apenas a dor do sofrimento. A vida nada mais é que algo vazio que preenchemos com tudo que pudemos sem perceber que algum dia teremos que esvaziar nossa vida e aí perceberemos o quão sábios fôssemos se apenas preenchêssemos com o que é útil. Viver não necessita de planos, necessita de ideias, necessita mais ainda de sentimentos, sentimentos que nos façam sentir dor e que só assim possamos nos sentir "vivos".
Ame a alguém a ponto de amá-la.
Sinta-se amado a ponto de amar.
Sofra a ponto de viver.
Chore a ponto de doer.
Sorria a ponto de chorar.
Viva a ponto de morrer.

- Estevão Eduardo -

domingo, 2 de agosto de 2009

O amor é ódio

"Amor, dor, alegria, tristeza, ódio e carinho
fazem parte dos mesmos
sentimentos ridículos que sentimos quando estamos amando
ou odiando alguém,
a diferença é que quando amamos, odiamos ao
contrário."
- Estevão Eduardo -

ABC da vida

Cada amor tem seu amado.
Cada beleza tem seu valor.
Cada carinho tem seu afago.
Cada desilusão tem sua causa.
Cada estrela tem sua hora.
Cada fim tem um recomeço.
Cada gota tem sua enchente.
Cada hora tem sua vez.
Cada ilusão tem seu fim.
Cada janela tem sua paisagem.
Cada letra tem seu peso.
Cada mel tem seu sabor.
Cada nota é uma som.
Cada ódio tem seu amor.
Cada palavra é uma dor.
Cada querer é um momento.
Cada riso é um recomeço.
Cada sonho tem sua realidade.
Cada toque tem seu querer.
Cada última palavra será pra alguém.
Cada valor tem sua troca.
Cada "xoxo" será apagado.
Cada zero será extinto.

-Estevão Eduardo -

Aversão

Há pessoas que aparecem em nossas vidas apenas para preencher um espaço incomum, um espaço aberto pela angústia e pela solidão. Há pessoas que aparecem em nossas vidas para fazer cada dia nosso mais feliz, mais cheio de luz e alegria. Há pessoas que aprecem em nossas vidas apenas para nos fazer acreditar no que somos e no que podemos ser em um futuro próximo e que essa escolha só depende de nós. Há pessoas que aparecem em nossas vidas para nos fazer sofrer, chorar amargamente por alguma dor, seja ela interna ou externa. Há pessoas que aparecem em nossas vidas e nos fazem querer segui-las independete do lugar para onde elas forem. Há pessoas que aparecem em nossas vidas para mostrar que cada música, cada som, cada cor, cada cheiro e cada visão faz lembrar algo que talvez nos faça querer rir ou chorar. Há pessoas que aparecem em nossas vidas querendo consolo, pedindo para que nós preenchamos o que nem elas conhecem, para que possamos enxugar suas lágrimas e conforta-las. Há pessoas que aparecem em nossas vidas e brigam conosco por apenas existimos e que nos chamam de idiotas por amá-las. Há pessoas que aparecem em nossas vidas querendo passar apenas uma noite conosco e depois ir para longe, para nunca mais voltar. Há pessoas que aparecem em nossas vidas e que as mudam completamente independente se seja para mau ou bom. Há pessoas que apenas aparecem em nossas vidas. E se uma pessoa aparecer em sua vida e o fizer sentir tudo isso, não a deixe, não desperdice a única oportunidade que tem de achar alguém que com certeza irá fazer sua vida mudar. O amor, a alegria, a tragédia, a dor podem estar em cada pessoa que deixamos apenas passar em nossas vidas e por sermos egoístas o suficiente não percebemos o quão importante é dar valor a nossos sentimentos.

- Estevão Eduardo -

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Teu corpo

O seu corpo é a janela que conduz ao pecado, é a visão do mundo através da beleza
É o encanto que traz de longe os pensamentos que ardem
É o que protege contra a minha frieza
Seu corpo é a tradução do belo em vários pontos
É querer estar perto e deslumbrar de encanto
É poder desbravar sem medo de errar
É querer estar perto, e sempre poder estar
Cada curva é a linha perfeita da perdição
É a estrada mais bela que conduz a exultação
Sem medo me perderia sem errar
O que me mata é esse desejo louco de não te amar
- Estevão Eduardo -

... amar

Eu quero o mel que escorre lento
Eu quero o doce que explode da fruta madura
Eu quero sentir o toque dos dedos frios
Eu quero a pressão que grita de encanto
Eu quero o hoje em forma de ontem
Eu quero o sabor salgado e morno que sai de você
Eu quero poder desfrutar da inocência perdida
Eu quero o assunto inacabado
Eu quero o olhar que mata e que dá vida
Eu quero o completo em forma de nada
Eu quero a manhã fria aquecida
Eu quero o sonho em forma de realidade
Eu quero penetrar no que eu não conheço
E depois sair, podendo dizer que estarei livre para amar de novo.


- Estevão Eduardo -

sábado, 18 de julho de 2009

O brilho do Sol

Ainda era noite. A chuva caia lá fora e dentro do quarto Hugo tentava dormir revirando-se na cama. Nada permeava seu pensamento apenas um vazio. E veio uma vontade repentina nele de se encolher entre os lençóis e desaparecer. Ele sentia um nada dentro dele, uma falta imensa de algo que nem ele sabia explicar - apenas sentia. Uma sensação começou a aliviá-lo, um alívio por saber que todos que ele amava, naquele momento, estavam dormindo em um sono profundo. Apenas ele, às quatro horas da manhã, estava acordado. Isso pertubava-o de certa maneira que logo veio uma vontade de gritar. Gritar para ser ouvido por quem fosse, apenas para ele ter a certeza de que ainda estava vivo. Algumas lágrimas corriam por sua face e algo prendia a respiração que ofegante tentava sair pela sua boca e sua garganta parecia estar sufocada. Ele suspeitava que naquele momento sua vida já não existisse, e que aquele sentimento de vazio era a morte, e a morte era o nada. Mas logo ele ouviu o som da chuva caindo na rua de sua casa, e ele lembrou que ainda estava vivo, mas o frio desacreditava-o. Naquele momento desejou nunca sair de sua cama, desejou nunca amanhecer, desejou nunca ter que contar a verdade, desejou ter que viver sonhando. Por que o sonho, o sonho sim era bom, no sonho não havia lágrimas, não havia frio, não havia chuva. Ele tomou coragem e decidiu se levantar e ir a janela e sentir o frio da chuva, as gotas que lavariam a alma e que o lembrariam de que a vida pode ser um sonho. A pequenos e vagos passos dirigiu-se até a janela e viu o Sol longínquo querendo aparecer dentre as nuvens amareladas. E o Sol lutando contra a força do frio, da chuva, das nuvens, tentava brilhar, pois já era chegada sua hora. E nessa hora Hugo já não brilhava mais.

- Estevão Eduardo -

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Fases

"Tenho fases, como a Lua: fases de ser sozinho, fases de ser só seu."
- Cecília Meireles -

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Eu quero o Nada.

Ouvir isso agora me faria pensar em você, e eu não quero pensar em como poderia ter sido te encontrar. Em como seria confuso depois de tudo, ter que lidar com a ideia de que eu ainda te desejo. Como seria difícil separar dois corações ávidos pelo amor. Dois corações que sentem falta.
Como seria triste ter que encarar teus olhos, os mesmo que antes haviam me amado, e que agora estariam - com toda certeza - repelidos ao encontro dos meus. E o que faremos da próxima vez? Se houver próxima vez. E tudo que eu imaginei pra nós ficou guardado para quem sabe um dia eu possa libertar talvez numa montanha alta e eles assim possam voar pra bem longe, como os pássaros voam procurando um local seguro, para depois voltar. E eu quero agora a solidão. A triste solidão que me faz querer ser invisível, que me faz querer sumir entre meus lençóis.

- Estevão Eduardo -

Mas eu to calmo...

Eu to confuso... Eu to com medo... Mas eu to calmo.
Eu quero respostas, não, melhor, eu quero alguém que me faça querer existir. Eu quero alguém em quem eu possa encostar a cabeça no ombro e descansar sem precisar falar nada. Eu quero paz. Paz interior. Eu quero poder sorrir sem chorar. Eu quero poder penetrar a realidade. Eu quero poder me apaixonar sem ter medo de errar. Eu quero poder fazer as coisas certas.

O que eu sinto não tem palavras, mas me consome de certa forma que me sufoca. Não consigo mais respirar. Mas eu to calmo. A verdade serve como libertação, mas apenas quando nós queremos ser libertados. E quem não quer ser prisioneiro do amor?! O amor me sufoca. E a necessidade de ser amado me consome, exceto a maior vontade de amar. Amar... sem precisar... errar.

Eu senti um alívio em não te encontrar esses dias. Um alívio que me deu paz. Mas quer saber a verdade?! Eu ainda quero você aqui comigo. E os meus sonhos continuam caminhando para a estrada que me matará.

[Eu não to bem, É sério...]

- Estevão Eduardo -

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Coragem garoto...

A Lua, as estrelas e o mar podem te dar as respostas certas, mas cabe só a ti resolver se vai realizá-las. Reflete em teu amor e busca teus verdadeiros sentimentos. Se tua vontade for maior, cede, mas com a certeza de que encontrarás um mundo contra ti. Mas se amares de verdade e se tiveres teu amor ao teu lado, o mundo não será nada perto de vós. E que da mesma forma como procuraste a Lua como aconselhadora, pede a ela que te abençoe, e só assim todas as vezes que não tiveres teu amor contigo, olha pra ela e lembrarás de que tu tens alguém ao teu lado pra lutar contigo. Nada se leva dessa vida a não ser o amor e a sorte de ser amado.

- Estevão Eduardo -

O meu outro eu

Te achar foi encontrar a outra parte, a parte que estava fora de mim e que faltava pra me completar. O vazio continua sendo vazio e durante essa parte você aparece e preenche o nada dentro de mim. Ontem esse mesmo vazio penetrou-me e senti uma vontade de chorar, chorar por mim, por você, por nós. Quis desaparecer entre os lençóis, quis não existir, quis penetrar o que estava destruindo-me. E eu passei a refletir, a ver que eu não estava só entre as multidões. E que dentre tanto céu eu encontrei a estrela que faltava em minha coleção. Uma estrela igual a mim. Mas que por sofrer de amor - assim como eu - já não brilhava. Te encontrar foi me encontrar. Seus sentimentos me colocaram contra meus próprios pensamentos, fez renascer meus desejos e meu amor, que antes dormia. Eu quis você ao meu lado, completando-me, pois você foi o mais perto que eu cheguei de mim mesmo.

- Estevão Eduardo -

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O que sinto

Eu tenho medo. Medo de mim. Medo de você. Medo do que eu sinto. Eu procuro me achar, mas desisto. Tenho medo do que acharei. Se eu irei suportar, se os outros irão suportar. Eu tenho medo do hoje, do ontem, do futuro não. Não tenho costume de ter medo de algo que não conheço. Eu me conheço? Talvez. Uma resposta simples e indireta a uma pergunta que rasga dentro de mim. Tenho receio do que acredito. Tenho medo de que não seja do modo como eu penso. Tenho medo de ter a certeza do sim. Procuro me libertar, mas agora percebo que há uma certa comodidade nas prisões. No acreditar nos outros. É bem melhor do que acreditar em mim. E no que acredito? Em tantas coisas. Coisas essas que me foram impostas a acreditar desde o útero da minha mãe. E desbravá-las agora seria desacreditar a todos. Por isso prefiro a prisão das ideias. E se tenho as minhas? Sim. Passo dias e noites concebendo-as e chegando a conclusões terríveis. Conclusões bonitas cheias de vontade, cheias de imaturidade. Mas as guardo. Elas são minhas e só minhas. Contá-las seria amedrontador. Pois eu tenho medo. Medo do que sinto.

- Estevão Eduardo -

Uma coisa seca

Não choro mais.
Na verdade nem sei porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei.
Acho que sim, um dia.
Quando havia dor.
Agora só resta uma coisa seca.
Dentro, fora.

- Caio F. Abreu -

...tão nítida

E o que eu poderia querer além disso tudo?!
Um dia de chuva
Boa música
Um livro de Drummond
Um filme clichê.

E a sua lembrança não tão nítida em minha memória.

- Estevão Eduardo -

domingo, 5 de julho de 2009

Sincero

Sem chances...

[...] To com ócio criativo.

Sem chances pra mim.
Sem chances pra você.
Sem chances pra nós.
O que sinto agora não consigo transpor... Talvez amanhã quem sabe quando eu te encontrar na rua passando eu me lembre de tudo que passamos, e talvez nesse mesmo lugar que eu estou agora escutando nossa música, eu me inspire e escreva sobre mim, sobre você, sobre nós. E talvez derrame até uma lágrima idiota em favor da tua face, e depois passe a noite criando situações românticas e impossíveis de nós dois nos amando.

[...]

E se você também tiver me olhado...
Aí será diferente... Talvez eu fique feliz em saber que você ainda lembra de mim.
Mas agora, agora...

Sem chances... [É sério]
Sem chances pra mim.
Sem chances pra você.
Sem chances pra nós.
To dando um tempo no nosso amor - se é que ele existe.

- Estevão Eduardo -

Falta você...

Falta outro olhar...
Para provar que eu te amo.
Falta um beijo...
Para consumar nosso amor.
Falta um abraço...
Para eu poder te dizer sem palavras que eu não vivo sem você.
Falta uma noite...
Para eu poder escutar suas histórias.
Falta um minuto...
Para eu ir naquela sala e contar a todos meu amor por você.
Falta uma lágrima...
Para você poder enxugar.
Falta uma resposta...
Para meu coração parar de perguntar por nós.
Falta pouco...
Muito pouco para eu te esquecer.
Falta você...
Impedir que isso aconteça.

- Estevão Eduardo -

O amor

"[...]
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro, ou as vezes encontram, mas por não prestarem atenção aos sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer naturalmente. É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O Amor."

- Carlos Drummond de Andrade -

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sobre Luas, Pássaros e Monstros...

Sentimentos...
Ruins, Bons e os que habitavam em mim sussurravam...
E o desejo gritava...
E o que era errado começou a chamar pelo certo...
O amor já não era amor, era necessidade...
O medo do erro...
A liberdade de uma vida presa por correntes...
E nada mais parava, fervia...
E depois virava fumaça e voava...
E tudo virou completamente de cabeça para baixo...
Era tudo...

[...] Sobre Luas, Pássaros e Monstros...

Um olhar

"[...]
Se você não consegue entender um olhar tampouco conseguirá entender uma longa explicação."

- Mário Quintana -

sábado, 27 de junho de 2009

O desejo...

- E quando você vai começar a ceder aos seus desejos em vez de se preocupar em saciar os dos outros?
- Talvez quando eu me apaixonar por você!

- Estevão Eduardo -

terça-feira, 23 de junho de 2009

O destino, O amor

Uma vez me disseram que sempre tem alguém que lhe completa, que lhe ama, que se importa com você, mesmo que você não encontre agora, essa pessoa está lhe esperando assim como você espera por ela. E espera para que o destino cruze seus caminhos. E se o destino... Não, seria crueldade se o destino esquecesse de nos juntar, afinal o que ele junta nada separa, foi o que me disseram. E ele também pode nos juntar novamente - vai saber. Mas o destino só junta, o amor é que resguarda. Mas e se o nosso amor não nos guardar, não nos juntar? Eu teria que esperar o destino encontrar outra pessoa pela qual eu teria que me apaixonar a ponto de chorar todos os dias, assim como eu fiz com você? Mas eu não quero. Eu quero você. A culpa então seria do destino que já sabia que nosso amor seria impossível, ou de nós que fomos covardes o suficiente para não lutarmos por nosso amor? A culpa seria minha por não ir atrás de você, a única pessoa que tem cor e forma diante de tanta mesmice e escuridão? A culpa seria sua por ignorar um sentimento tão errado, mas que grita e cresce cada vez que se alimenta do meu desejo? O destino nos dará outra chance, isso eu tenho certeza. Mas quando será? Quando eu já estiver casado e infeliz com minha vida medíocre? Ou quando você já estiver...? Talvez nossos filhos se apaixonem assim como nos apaixonamos, mas por um egoísmo cínico não deixaremos eles ficarem juntos, por que no fundo nós gostaríamos de estar no lugar deles, e ceder aos seus desejos seria quebrar o nosso. Enfim, uma vez me disseram que o verdadeiro amor não passa, fica, e se eu passar eu espero que você fique, fique aqui comigo.

- Estevão Eduardo -
"Post No. 100"

Instinto humano

"Não se pode ir contra o instinto da natureza humana... e o desejo é um deles."

- Estevão Eduardo -

domingo, 21 de junho de 2009

Lembranças

Uma estrela no céu.
A lua quase cheia.
O sol.
A brisa que vem do mar.
As flores que se abrem na primavera.
O frio gélido do inverno.
As folhas no chão.
Meus livros empilhados na estante.
Meu perfume com odor de meia-noite.
O relógio quando bate cinco da manhã.
O mar verde.
A música nunca tocada.
Aquele filme clichê.
Minhas mãos entrelaçadas uma as outras.
Aquela frase de Manuel Bandeira.
O lugar bendito.
O amor profano.

... tudo isso me lembra você!
Lembranças, lembranças, quando deixarão de ser apenas lembranças?

- Estevão Eduardo -

Livro sem letras

E é assim que as vezes eu me sinto, como um livro com centenas de páginas, porém sem nenhum parágrafo, nenhuma frase, nenhuma letra. Um sentimento de falta, de existência - isso mesmo, existência e nada mais.

- Estevão Eduardo -

Amor: substância insossa

"Lembrei-me de ti, quando beijara teu rosto de homem, devagar, devagar beijara, e quando chegara o momento de beijar teus olhos - lembrei-me de que então eu havia sentido o sal na minha boca, e que o sal das lágrimas nos teus olhos era o meu amor por ti. Mas, o que mais me havia ligado em susto de amor, fora no fundo do fundo do sal, tua substância insossa e inocente e infantil: ao meu beijo tua vida mais profundamente ínsipida me era dada, e beijar teu rosto era insosso e ocupado trabalho paciente de amor, era mulher tecendo um homem, assim como me havias tecido, neutro artesanato de vida."

- Clarice Lispector -

domingo, 14 de junho de 2009

Leve-me

Leve-me pra longe. Leve-me pra onde nosso amor seja verdadeiro. Onde nosso amor profano seja lindo. Quero olhar em teus olhos sem ninguém pra nos ver. Quero pegar em tuas mãos, beijar tua boca sem que ninguém nos interrompa. Quero poder falar no teu ouvido segredos só nossos. Quero poder acordar ao teu lado e programar nosso dia. Leve-me pra onde possamos casar. Leve-me pra onde você queira. Porém leve-me sempre contigo.

- Estevão Eduardo -

O vazio

O vento enlaça meu pescoço, enquanto o crepúsculo desce sobre minha pele quente recém saída da cama. E de repente um razio me consome, um vazio tão grande que me deixa pequeno, talvez até invisível, mas não invisível para outros e sim pra mim. Para outros me sinto nu agora, preciso urgentemente me cobrir. Mas de que importa? Me sinto só e por incrível que pareça não necessito de compania, há um certo prazer nessa solidão instântanea. Nada fere minha alma, nem mesmo o silêncio, que antes era o meu pior inimigo, agora não me assusta. Afinal onde está minha alma agora? Onde estão meus sentimentos? Há dias que procuro o motivo por ter me tornado tão frio, tão só e tão recluso num local onde não é meu mundo. Não conheço. Estou cego. Cego diante daquilo que antes me assustava e me dava prazer, agora nem o desejo imenso de me satisfazer me machuca mais. Olhei meu reflexo no vidro e tive nojo de mim mesmo, vergonha da pessoa que eu era e que agora me tornei, até parece que em meu rosto está escrito o que nunca revelei. Parei por uns segundos diante do meu quarto e não o reconheci, nem sei se ao menos eu estava ali, pelo menos meus pensamentos não, onde estariam então? A sua falta nem me fez falta agora, do que adiantaria ter você aqui, se esse vazio me consome e eu assim não poderia me entregar totalmente a você - quero dizer, eu nunca vou poder me entregar completamente a você... Mas o que está acontecendo então? Por que não sinto dor, porque minhas lágrimas não caem mais? Talvez a visão do vazio que eu tivesse penetrou completamente dentro de mim e agora começo a olhar não em volta, mas pra dento de mim mesmo. A visão dos beijos apaixonados, da alegria momentânea e da tristeza alheia já não me causam inveja. Me sinto agora morto. Quando renascerei? A resposta talvez venha com um fim, ou talvez com um novo começo. Pra dizer a verdade os começos sempre me dão tédio, e os fins, amo-os intensamente, me dão a noção de completo. Completo? Pelo que? Não sei. Só um verdadeiro motivo agora me daria a alegria de chegar até o fim.

- Estevão Eduardo -

terça-feira, 9 de junho de 2009

Primeira vez

E o sol poente entrava pelas frestas da janela aberta coberta pela persiana. As roupas no chão misturavam-se aos livros espalhados pela estante e pela casa. E Diego deitado no chão com os pés no sofá olhava atentamente para o teto, como querendo desbravá-lo e chegar até as estrelas. Pensava em tudo que ocorreu, e um misto de emoções penetrava-o como uma adrenalina que se misturava a uma sensação de paz. Tudo parecia confuso, afinal aquilo era tudo que ele queria, porém um sentimento de culpa o punia. Relembrava seus corpos entrelaçados como um só e nos beijos ardentes trocados entre os gemidos que saiam involuntariamente de suas bocas. Pensava como foi bonito e do modo como ele sonhava. Sentir aquele corpo sobre o seu, pingando o suor que cheirava a paixão e seu rosto pálido que tentava penetrar o mais fundo de sua alma. E o amor transformava-se em desejo, e o desejo em amor, nada mais. Nem uma palavra, apenas o silêncio e o som do coração pulsando no peito. E o desejo tornara-se pecado em sua mente, e o pecado tornara-se certo a medida que o amor se fizera errado. Por que amor e pecado são irmãos e não há um sem o outro. E tudo que Diego queria era poder olhar naqueles olhos novamente e partilhar da intimidade que agora já fora descoberta. E por entre seus pensamentos alguém bate à porta. Diego levanta-se e caminha para atender, quando ao abrir a porta encontra seu amor que quando o olha lembra-lhe que agora não são mais dois e sim apenas um, um só, em carne e alma.

- Estevão Eduardo -

Mudar, verbo transitivo

... e eu to cansando, cansado de não amadurecer, cansado de não viver meu grande amor, cansado de me satisfazer, cansado de ficar esperando alguém aparecer e me desenterrar da solidão. Eu quero crescer. Quero te ter ao meu lado. Quero alguém que me ouça e que me faça querer mudar.

- Estevão Eduardo -

Príncipios

"Pessoas me atraem mais do que príncipios, e pessoas sem príncipios mais ainda"

- Oscar Wilde -

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sobre mim

...e sobre mim, você deveria saber que eu não gosto de sua ausência.
Que eu não suporto esse desejo nojento de me satisfazer.
E que eu não tenho medo do que você me faz sentir.

- Estevão Eduardo -

Beleza de um segredo

"A beleza de um segredo consiste na fidelidade de quem o guarda."

- Estevão Eduardo -

A simplicidade


"A Física é a única ciência que tira a simplicidade das coisas mais belas da vida. A lista das coisas mais triviais e lindas é estragada com as leis inúteis que um ser humano inteligente que se preze não necessita. Não me interessa saber o por que do relógio fazer 'tic-tac' quando na verdade esse é o nosso único companheiro em dias de solidão."
- Estevão Eduardo -

sábado, 6 de junho de 2009

L´amour


Pas tout ce qui y apparaît.
Pas tout ce qui existe, fascine.
Pas tout ce qui fascine, c'est l'amour.
Ce ne sont pas tous l'amour est l'amour!
- Estevão Eduardo -

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Minha tarde

Novamente estou eu aqui enterrado nessa solidão medíocre, nessa auto-piedade que eu mesmo abomino. Fingir é sempre bom, mas tudo que é bom um dia chega ao fim, afinal não fomos feitos para ser felizes. Eu poderia mentir sobre mim, e depois talvez contar a verdade. Eu poderia tornar uma tarde sua mais feliz. Eu poderia escutar suas histórias agora e fingir surpresa e encanto, enquanto repararia no seu rosto e suas mãos. Eu poderia ir até o seu trabalho e perguntar por você. Eu poderia ir até onde não posso apenas para nos encontrarmos. Eu poderia comprar seu biscoito favorito. Eu poderia fazer parte de você, assim como você já faz parte de mim.

E essa solidão novamente penetra minhas veias e borbulha chamando teu nome...

- Estevão Eduardo -

terça-feira, 2 de junho de 2009

The youth


Adolescência, por que muitos não entendem o que se passa nessa fase?! Nossos pais e professores exigem de nós o que ainda não somos. Estamos em transição, como superar a linha que separa a infância da fase adulta? Precisamos cometer erros para aprender, deixem-nos cair para que possamos levanter com nossas próprias forças. Um adolescente nada mais é que uma criança que está aprendendo a ser responsável. Queremos ser grandes, e somos, por dentro. O mundo assim torna-se pequeno diante de tantos sonhos, paixões e erros. Na escola nos pedem para ser responsáveis e em casa nossos pais não nos deixam sair a noite porque ainda não temos idade suficiente. Então somos irresponsáveis que saem durante o dia ou responsáveis o suficiente para não sairmos a noite?! Na escola nossos professores dizem que devemos seguir o que queremos e em casa nossos pais planejam nossos futuros precisamente para que não possamos ter nenhum trabalho, futuro esse que muitas vezes não condizem com nossos desejos. Somos então prisioneiros de nossa própria liberdade?! Meu pai não é presente e minha mãe não me escuta. Sim, esse é o futuro do país que todos querem, ou pelo menos idealizam. Nossos pais e professores viveram o que estamos vivendo, mas com um pequeno diferencial: a 20 ou mais anos atrás. Minha amiga reclama porque os pais dela não entendem sua opção sexual, os pais dela nem ao menos sabem o que é amor. Os pais do meu amigo obrigam que ele faça uma faculdade que ele não quer, mas eles nem ao menos sabem o que é faculdade. A mãe de minha amiga diz que ela é uma criança, mas não a explica que ela já pode fazer outra criança, e já fez! O pai de um amigo diz que o ama, porém só o vê nos finais de semana. Somos grandes demais para entender o óbvio e pequenos demais para explicar o inexplicável!

- Estevão Eduardo -
Para escutar:




The Youth - MGMT

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O meu problema

"O problema não está em não me apaixonar
... e sim em me apaixonar deliberadamente, e a cada vez que aparece uma pessoa que põe cor no meu mundo preto e branco."

- Estevão Eduardo -

Confissão de um amante - Parte II

Eu tenho um desejo. Um desejo de ser amado. Eu gostaria de saber que existe alguém que sente minha falta, que necessita só por um momento de mim. Eu gostaria de saber que existe alguém que pensa no modo como eu falo sem parar ou de como as vezes eu me fecho em meu mundo. Gostaria de saber que existe alguém que repara no meu sorriso, nas minhas mãos e que não consegue viver sem olhar nos meus olhos. Saber que existe alguém que procura saber dos meus gostos apenas para saber como eu sou. Que existe alguém que chore lembrando de mim e da falta que eu faço para essa pessoa. Exista alguém que sonhe acordado comigo. Alguém que queira ficar ao meu lado por toda a vida. Que queira me abraçar sem ter vergonha dos outros. Queira ficar, e não ir embora... como sempre fazem!

- Estevão Eduardo -

sábado, 30 de maio de 2009

O final

Do lado de fora chovia e Ana e Carlos dentro do quarto abraçados tentavam conter o frio que tocava a pele. Sobre a cama eles descansavam. Carlos ainda dormia e Ana acordada lançava seus braços por entre o corpo de Carlos numa tentativa frustrada de conter o frio. De repente passou por Ana um desespero, uma vontade de chorar imensa, sentindo-se desprotegida ela aconchegou-se ainda mais perto de Carlos e no seu peito tentava se esconder de um medo que nem ela conhecia. Começou e pensar na possibilidade de perde-lo e de não tê-lo mais ali em sua cama, abraçado com ela, desfrutando do amor e da paixão. Em sua cabeça um amontoado de lembranças rondavam seus pensamentos, lembranças do começo, de quando haviam se conhecido e quão boba fora. Lembrou o primeiro desentendimento e de como haviam se resolvido. Por entre essas lembranças, duas lágrimas corriam em sua face pálida. Aproximou seus pés junto aos dele. Quis a qualquer preço saber o que se passava em sua mente, quis mergulhar em seus pensamentos, descobrir seus medos e consola-los. Quis tornar-se uma parte dele, parte indispensável de sua vida. Quis saber tudo sobre a sua infância, o primeiro beijo, a primeira namorada, a primeira polução e com quem fora sonhando. Em troca quis contar sobre seus gostos, suas qualidades, seus defeitos, e ver em seus olhos brilhantes um interesse incomum. A chuva continuava forte e as rajadas d´água na janela deixavam-na tão desesperada que seu desejo era tomar Carlos quase como um abrigo. Começou a olha-lo de uma forma diferente, a sua face nunca lhe pareceu tão lívida e tranquila, sentiu um gozo imenso em poder saber que ali ele estava protegido e seus pensamentos, talvez vazios, num descanso quase eterno. Suas mãos, tão finas, rodeavam-nas por entre suas costas, e aquilo lhe dava uma sensação de segurança imensa, se fosse possível nunca sairia dali. Gostaria de permanecer assim por toda a eternidade. Carlos ao acordar, soltou um sorriso longo e silencioso para Ana, e seus olhos não contiveram-se soltando mais algumas lágrimas pequenas.

- Estevão Eduardo -

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Nossa música

:_(

"...não sei por que eu ainda insisto em você."

- Jota Quest -

Humanos-robôs

"Sociedade nojenta, composta por membros hipócritas de ideias alienadas. Sempre fui contra a intolerância, o desrespeito pelo próximo. A medida que o ser humano avança ele regride, continua a construir a linha tênue que separa o que ele acha certo do que o que ele acha errado, tomando seus próprios conceitos sem ao menos conhecê-los, é daí que surge o que conhecemos por preconceito. Esses ideais de superioridade tem suas bases na antiguidade, será que estaríamos forjando um falsa democracia assim como os atenienses na Grécia Homérica? Ou estaríamos nos sujeitando a ideais preconcebidos assim como Hitller, prevendo que nossa classe é melhor que a do outro? Vale ainda salientar que vivemos na época mais conhecida como Idade comteporânea, mais precisamente século XXI. E com todos esses exemplos de intolerância o ser humano ainda não aprendeu a respeitar a cultura, a escolha do seu próximo. A medida que damos um passo a frente em quesitos tecnológicos e "pseudo-sociais" regredimos, equiparando-nos com seres da antiguidade. Isso fica bem claro na passagem para Idade Moderna, quando na Revolução Francesa o homem buscando o "futuro" e a república, opta por utilizar metódos mais grosseiros que os usados pelos homens da Idade Média, para conseguir seu feitio. O que podemos ver são duas linhas paralelas que caminham em sentidos contrários. Não podemos esquecer que o respeito pelo outro e sua cultura, além de sua inclusão na sociedade é um dos pilares básicos do sistema de governo que vivenciamos, a democracia. Porém o ser humano parou de pensar, parou de avaliar e principalmente parou de evoluir. Nascemos para viver em sociedade, e essa não seria perfeita se todos fossem iguais e tivessem as mesmas culturas. A individualidade, a intolerância e o egoísmo se tornaram as principais armas que muitos usam. E é contraditório pensar que o ser humano que se diz um ser pensante, o único animal racional, não consiga evoluir para um estágio que eu chamo de interação. Então o que teremos no futuro? Simples, humanos high-tecs de mentalidade ínfima."

- Estevão Eduardo -

terça-feira, 26 de maio de 2009

Vamos brincar de fingir

Nós poderíamos fingir.
Fingir que nascemos
Fingir que brincamos
Fingir que crescemos
Fingir que nos encontramos
Fingir que nos apaixonamos
Fingir que vivemos um grande amor
Fingir que brigamos
Fingir que nos separamos
Fingir que encontrassémos outra
Fingir que vivemos
Fingir que morremos.
Enfim fingir que existimos.
Apenas fingir, e nada mais!

- Estevão Eduardo -

domingo, 24 de maio de 2009

Maldita insegurança



"Eu quero ser um bom amigo
Eu quero encontrar meu melhor amigo
Alguém que queira ficar
Alguém que não se vá."

Uma pequena parte

"As vezes me pego confrontando-me com minhas próprias ideias. Parece confuso e ao mesmo tempo sinto raiva de mim por isso. Sei que preciso ser mais acessível, menos antipático, e quando aparece uma oportunidade para tal, eu me fecho em meu mundo em escuridão, repleto por minhas ideias frias e fantasiosas. Isso me faz perceber que nunca serei o que gostaria. Meu mundo, um lugar tão grande dentro de um local tão pequeno, tão cheio de fantasias, tão cheio de angústias e medos. Alegrias, tristezas. Já tive tantos amores, e o incrível é que sempre volto para o mesmo, você. Vivo nele desde que fui proibido de viver no mundo real, dentro dele entram apenas aqueles que me interessam, aqueles que fazem a diferença, aquelas pessoas que não apenas passam. No meu mundo, as vezes eu não sou eu, as vezes eu sou. No meu mundo não existem castelos, nem pessoas famosas, apenas eu e você. Deitados na cama até o dia amanhecer conversamos sobre a vida, sobre nós. Abraçados na chuva enfrentamos o frio. Lendo seus livros eu viajo até seu mundo. Você me traz de volta ao meu. E assim vivemos, não temos medo do fim pois não temos começo. Durante a noite olhamos as estrelas e preenchemos o silêncio com as batidas do meu coração, que aceleram quando você olha em meus olhos. Vivemos para hoje, e se não tivermos amanhã, que assim seja."

- Estevão Eduardo -

sábado, 23 de maio de 2009

Tema de uma vida

Dúvida

"Você não pode saber se uma pessoa gosta de você. Você só pode acreditar ou ter esperança que assim seja."

- O mundo de Sofia -

Confissão de um amante

"As vezes me sinto tão só, amparado apenas pela angústia de uma lembrança tão pequena quanto o ser que somos. Não que eu esteja reclamando da vida, mas para que tê-la sem te ter? Percebi hoje que eu não te amo. Eu apenas amo amar, me sentir desejado e amado, isso é uma necessidade. Me apaixonei por mais duas pessoas hoje, de novo, e isso me quebra por dentro. Saber que essas pessoas seguirão sua vida sem terem ao menos me notado, eu creio, e se apaixonando por outras pessoas e sofrendo, que lástima. O amor é mais forte que eu, me desculpa. Eu também não te culpo se voce se apaixonar por outras pessoas, afinal você não me pertence. Eu procuro dia e noite por você, em meus sonhos, nos rostos dos outros. A falsa alegria disfarça minha verdadeira solidão. Se não te tenho sofro, se te tenho torço para que te vás. Não sei, mas o sentimento de saudade me faz sentir-se vivo e só me sentindo vivo é que posso querer morrer. Uma das pessoas por quem me apaixonei hoje aparece de vez em quando em minha vida, estranho mais eu adoro olhar para suas mãos, sei lá, pensar que minhas mãos poderiam estar entrelaçadas àquelas. Perdoe-me por favor, eu sei, milhares de vezes as minhas mãos estiveram entrelaçadas às suas, e agora as traio, perdoe-me. Essa solidão acaba comigo e preciso disfarça-la afinal estou rodeado por pessoas que não me compreeendem e que nem apenas me conhecem, meus familiares. Se você puder me ouvir, peço-te venha me resgatar e juntos iremos viajar para onde o sol apenas nasce. Quero sair, estou cansado, cansado dos mesmos rostos, das mesmas pessoas sem conteúdo, dessa falsa educação. Quero encontrar pessoas que me entendam, que falem a mesma língua que eu, quero te encontrar, me encontrar em você. Enfim não quero apenas existir, quero viver, e se for para viver que seja ao seu lado."

- Estevão Eduardo -

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Você

Teu olhar, meu castelo.
Tua pele, minha neve.
Tua boca, meu brinquedo.
Teu peito, meu travesseiro.
Teus pés, meu santuário.
Tua garganta, meu cabide.
Teu cabelo, meu sol.
Teu sorriso, meu cativeiro.

Você, o único motivo pelo qual ainda respiro.

- Estevão Eduardo -

sábado, 9 de maio de 2009

Diário de um ladrão

"A sociedade, tal como vocês a constituem, eu a odeio. Eu sempre a odiei e vomitei. (...) Desde que encontrei na literatura um exultório, meu ódio tomou uma outra forma, menos pessoal: ele não se traduz mais num impulso interior mais ou menos acidental, ele se deduz de uma filosofia aclarada pela experiência. De um rancor nasce uma idéia. E essa idéia torna-se, à medida que avanço dentro de minha obra, mais serena e mais indestrutível. Eu o sei, eu o testemunho: a ordem social não se mantém senão ao preço de uma infernal maldição que aflige os seres, dentre os quais os mais vis, os mais nulos estão próximos de mim – quer isso agrade a vocês ou não – que qualquer burguês virtuoso e assegurado. Para sempre eu me fiz intérprete dos dejetos humanos, dos resíduos que apodrecem nas prisões, debaixo das pontes, no fundo da fétida podridão das cidades”.

- Jean Genet -

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Triste Fim

' Você era tão inocente
E de repente foi jogada num mundo de horrores
Todos queriam ser você
Todos queriam ter você
Não a culpo,
Tudo que você fez foi um jogo
Um jogo de escape
Saída desse mundo real
De repente sua felicidade
Era apenas um espelho
Que refletia apenas o que você queria ver
Dinheiro, fama...
O que mais importa?
Nada. A não ser sua dignidade
Mas agora...não!...o que vejo?!
Eles agora te queriam
Não por você
Mas contra você
Triste fim...
O seu e o meu.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Summertime

"Summertime,
And the livin' is easy
Fish are jumpin'
And the cotton is high
Your daddy's rich
And your mamma's good lookin
'So hush little baby
Don't you cry
One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky
But till that morning
There's a'nothing can harm you
With daddy and mamma standing by"

- Scarlett Johnasson -

Contra a maré

"Porque nós somos jovens
E coisas estão erradas
Nós perderemos as correntes
Nós faremos as coisas certas
Antes de o sol ir abaixo
E fora de alcance
Nós perderemos as correntes
Porque você e eu
Nos movemos contra a maré"

- The radio dept. -



quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Eu não posso ficar com a única pessoa que gosto, a única pessoa que me ama, logo não ficarei com mais ninguém."

- Conde Axel Fersen -

domingo, 26 de abril de 2009

Não me curvarei

"ai, ai...esse meu jeito Ana Bolena de ser!"

- Estevão Eduardo -

Tudo se resolverá

Já não há mais tantos motivos para tentar te reencontrar e desenhar um novo final. Já não há mais motivos para tentar ficar juntos, se um mundo de contradições nos impede. O inverno está chegando e o que farei eu com minhas lágrimas que insistem em cair para te procurar. Senti frio um dia desses e me dei conta de quanto sua falta me faz, uma falta que nunca teve uma presença. Ainda te tenho aqui ao meu lado lendo os meus livros preferidos, rindo dos gostos dos outros e do que eles inventam. Cada dia me lembro mais de você, mais do seu rosto, menos de sua presença. Lembro o dia em que seu rosto brilhou sobre o meu, e seus olhos procuraram o meu tão de perto, o dia em que você me pegou e me levou para seu castelo abaixo do sol. Lembro o dia em que nos encontramos sem querer e você tentou me dizer tudo que queria e quase me obrigou a parar pra lhe ouvir, quão idiota eu fui em não ter parado pra te escutar. Você quis me esquecer eu sei, mas nem eu nem você conseguimos. Hoje eu espero pacientemente o dia em que o destino cruzará nossas vidas novamente, espero pacientemente o dia em que tudo se resolverá.

- Estevão Eduardo -

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Tão só

"...eu ainda tenho a certeza de que eu encontrarei alguém que eu goste, para gostar de mim... 'poxa' será que ninguém ama os filmes de Sofia Coppola e Woody Allen, ou é fã de The radio dept. e ama literatura e teatro? Me sinto tão só nesse mundo, ainda bem que eu tenho meu próprio, mas sozinho eu não consigo."

- Estevão Eduardo -

terça-feira, 21 de abril de 2009

A primavera

"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira."

- Ernesto Guevara de la Serna -

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Maria Antonieta

"Caso se considere apenas a grandeza de tua posição, és a mais feliz (?)* de tuas irmãs e de todas as princesas."

- Maria Teresa -

* mais feliz?! será?!

O sofrimento...

"O sofrimento é natural, sobrepujá-lo é uma escolha."

- Jeffrey Eugenides -

domingo, 19 de abril de 2009

O meu dia

Sonho o dia em que nos encontraremos
O dia em que tudo será mais belo
As estrelas do céu mais brilhantes
O dia que eu mais espero

Sonho o dia em que nos beijaremos
A lua estará mais cheia
A relva mais verde
É quando nos tocaremos

Sonho o dia em que faremos canções
Sonhos são apenas sonhos
Projeções sonhadoras
Das nossas irrealizações

- Estevão Eduardo -

O homem da cueca certa

"E o que você espera da vida procurando o homem da cueca certa?"

- Woody Allen -

sábado, 18 de abril de 2009

Eu sei que vou te amar


"Agora posso te confessar sem receio. Nesta hora não se mente. Eu te amei desde o momento em que te vi! Eu te amei por séculos nesses poucos dias que passamos juntos na terra. Agora que a minha vida se consta por instantes, amo-te em cada momento por uma existência inteira. Amo-te ao mesmo tempo com todas as afeições que se pode ter neste mundo. Vou te amar enfim por toda a eternidade."


- José de Alencar -

Sua música

"É um tanto engraçado esse sentimento interior
E eu não sou o tipo da pessoa que consegue esconder facilmente
Não tenho muito dinheiro, mas garoto, se eu tivesse
Compraria uma grande casa onde poderíamos viver

Se eu fosse um escultor, mas poxa, não sou
Ou um homem que faz poções em um show ambulante
Eu sei que não é muito, porém é o melhor que posso fazer
Meu presente é a minha canção, e esta é pra você

E você poderá contar para todo o mundo que esta é a sua canção
Talvez ela seja bastante simples, mas agora que esta terminada
Eu espero que você não se importe
Que eu tenha colocado em palavras
Como a vida é maravilhosa agora que você esta no mundo

Me sentei no telhado e retirei o musgo
Bem...alguns dos versos me colocaram em uma encruzilhada
Mas o sol estava adorável quando escrevi esta canção
E é para pessoas como você que elas continuam vivas

Então perdoe-me se eu esquecer, mas estas coisas eu faço
Perceba que eu esqueci se são verdes ou azuis
De qualquer maneira, bom...o que eu realmente quero dizer
É que seus olhos são os mais doces que já vi."

- Elton John -

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O diplomata


"Eu pensei em escrever um livro, um livro que narrasse tudo que me aconteceu desde que te conheci. Despejar sobre ele minhas angústias e medos que você fez despertar em meu ser. Percebi que não poderia descrever um sentimento tão profundo em palavras que pudessem fazer o leitor entender como é sublime essa paixão que me liga ao seu ser. Percebi que depois de escrito de nada me valeria se você não tivesse aqui para lê-lo. Percebi que não passariam de palavras soltas ao vento procurando o coração que as criou. Por isso resolvi não escrever de você, mas sim para você, por que eu sei que esse sentimento me alimenta de amor, e se amor é vida, eu prefiro viver te amando. Escrevo versos que afloram à pele os meus mais perversos sentimentos e o mais delicados. Escrevo mesmo sabendo que tu não os lerás, mas mesmo sim escrevo para saber a cada dia que te amo, e me lembrar que sem você não vivo. Estás morto...mas tenho certeza que te guardando nas memórias de meu livro, para mim sempre estarás viva, minha flor!"


- Estevão Eduardo -

Pela janela

"Pela janela...
Vejo meu futuro tão incerto quanto o teu
E o meu passado se juntou ao seu
Para formar o que se faz presente.

Pela janela vejo o medo,
A angústia da incerteza e sonhos
Repletos de tu e tua beleza
Que nunca terá um fim.

Pela janela viajo em teus pensamentos
Que procuram os meus
Num mundo repleto da incerteza de viver;
Viver a vida que me prometeu"

- Estevão Eduardo -

terça-feira, 14 de abril de 2009

Prazeres mortais

"As grandes sensações de dor ou de prazer pesam tanto sobre o homem, que o esmagam no primeiro momento e paralisam as forças vitais."

- José de Alencar -

Ânsia de te ter

"Eu aqui olhando o telefone...
Escrevendo teu nome.
Esperando uma resposta"

(Desconhecido - Alguém do cursinho)

domingo, 12 de abril de 2009

A vigília de Hero

"Tu amarás outras mulheres
E tu me esquecerás!
É tão cruel, mas é a vida. E no entretanto
Alguma coisa em ti pertence-me!
Em mim alguma coisa és tu.
O lado espiritual do nosso amor
Nos marcou para sempre.
Oh, em pensamento nos meus braços!
Que eu te afeiçoe e acaricie..."

(Manuel Bandeira)

A chuva que cai

"A chuva cai...
Minha solidão aumenta,
Espero por você
Debaixo desse teto que ninguém aguenta.
Você me diz que voltará
E me faz acreditar
Que um dia a chuva que cai
Irá acabar"

(Estevão Eduardo)

Canção para uma valsa lenta

Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa...de encanto...de medo...

Minha vida não foi um romance,
Minha vida passou por passar.
Se naõ amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance...
Pobre vida...passou sem enredo...
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!

Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso...de um gesto... um olhar...

(Mário Quintana)

sábado, 11 de abril de 2009

Amando ou morto

"Sinto que amo apenas para me sentir vivo"

- Estevão Eduardo -

Tempos infantis

"Saudades dos tempos em que qualquer coisa preenchia o vazio, que hoje nada preenche mais"

- Estevão Eduardo -

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Um mundo de sonhos

Estava tudo tão escuro, tão silencioso. Por entre aquelas ruas ninguém passava, apenas carros parados, lojas vazias e casas inabitadas formavam a paisagem que naquele momento Mateus admirava perplexo. Onde estava sua casa? Seus amigos e familiares? Onde estavam todas as pessoas? O frio tomava conta dele e o medo já habitava seu coração confuso. A uma hora atrás estava em casa dormindo, e ao acordar deparava-se com aquela situação. Aos poucos foi recuperando-se e um sentimento de coragem invadiu-lhe de modo que decidiu ir a procura de outras pessoas ou quem sabe uma saída que o levasse de volta para casa. Corria por entre as ruas desesperado, quando deparou-se com um senhor bastante velho que caminhava a passos curtos quase que conformado com aquele lugar. Correu em direção ao senhor, enchendo-lhe de perguntas, uma atrás da outra, deseperado por respostas:
- Onde estou? Qual o seu nome? Como faço para sair daqui? Como vim parar aqui?

Diante de tantas perguntas e nenhuma resposta, Mateus desesperou-se, o Senhor continuava a olhar para frente sem encará-lo e a andar como se nada ocorresse. Mateus jogou-se ao chão e numa tentativa desesperada rompeu em choros e lágrimas que escorriam por entre seus dedos. O senhor já adiante parou, e sem olhar para trás falou rapidamente:
- É impossível você querer sair de algo que lhe pertence
Mateus levantou a cabeça e confuso começou a fazer perguntas e mais perguntas, aquela resposta de nada havia adiantado, ao menos se ele entendesse o que isso significava.
O velho senhor o chamou:
- Venha comigo e prometo lhe mostrar o caminho de volta
Mateus num impulso levantou-se e correu até protrar-se ao lado do velho, e foi logo perguntando-lhe:
- Onde estamos? Que lugar é esse?
- Calma filho...você tem pressa.
- Mas é que eu estava em casa e de repente...
- Eu sei, e de repente você veio parar aqui. Isso acontece muito. Várias pessoas passam por aqui desesperadas por respostas e pelo caminho de volta, mas poucos encontram-o. Onde estamos? Bem, estamos aprisionados - e após uma breve pausa - aprisionados por queremos liberdade.
- Mas...como assim? Eu não entendo - disse Mateus mais confuso ainda
- Você foi preso aqui meu jovem, para que não sonhasse mais, para que não almejasse mais um sentimento de liberdade e descoberta, você era um garoto muito visionário, e muitas pessoas lá fora não se agradavam disso.
- Mas e como eu saio daqui?! - perguntou Mateus ainda confuso e agora perplexo.
- Não há saídas...
- Mas o senhor disse que me mostraria o caminho de volta - interrompeu Mateus furioso
- Eu lhe mostrei a verdade, e a verdade nada mais é que o caminho de volta, basta você acreditar e obedecer o que lhe pedem e aí talvez você saia daqui
- Obedecer? O que...a quem? - Mateus mais confuso ainda
- Desista meu jovem, desista de sonhar, de almejar um mundo melhor, desista de querer ser compreendido por todos, só assim você sairá desse mundo, dessa prisão - falou o velho serenamente
- Mas o senhor esta me pedindo pra desistir de viver...
- A vida não existe meu jovem, estamos todos destinados a morte. Você tem duas opções, voltar a sua casa ou ficar aqui
- Mas todas as duas opções me negam o direito de querer viver
- Voce tem as duas opções e um direito de escolha, voce tem o tempo que precisar - e o velho saiu andando enquanto Mateus continuava parado fitando-o.
- Espere - gritou Mateus correndo em direção ao senhor - já tomei minha decisão.
- Então diga meu jovem
- Vou ficar aqui
- O que?! Mas só você escolheu essa... - falou o velho espantado
- Bem meu senhor prefiro ficar só com meus sonhos a que ficar morto acompanhado.
(Estevão Eduardo)

Longo hiato

"Há momentos da vida que duram um longo hiato, e nesses momentos esta torna-se quase intolerável."

- Clarice Lispector -

Soneto de Véspera

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou - fria de vida?
Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida
- Vinícius de Moraes -

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Um vazio confuso

Hoje senti um vazio, um vazio confuso, e aos poucos fui percebendo que esse vazio era uma consequência, consequência daquelas coisas minunciosas que não fazemos apenas por medo de que algo saia errado.
Os cigarros que não fumei
As bebidas que não bebi
Os beijos que não te dei
Os amores que não colhi
...
Amanhã sentirei um vazio, um vazio confuso, e aos poucos perceberei que esse vazio é uma consequência, consequência daquelas coisas minunciosas que não farei apenas por medo que algo saia errado.
Os cigarros que não fumarei
As bebidas que não beberei
Os beijos que não te darei
A vida que não vivi
(Estevão Eduardo)

Desencanto


Então desanimemos
Adeus, tudo!
A mala pronta
O corpo desprendido
Resta a alegria
De estar Só e Mudo
- Carlos Drummond de Andrade -

terça-feira, 7 de abril de 2009

Novos ares

Sinto novos ares
Sinto liberdade
Vem de dentro e aflora na pele
Sinto o vento e todas suas composições
Sinto as estradas se abrindo
Sinto a transpiração querendo sair por aí
Sinto o coração pulsar mais depressa
Sinto e excito a essa nova tendência
- Estevão Eduardo -

Sobre todas as coisas

Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado
Desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado
Vendo alguém abandonado
Pelo amor de Deus
Ao Nosso Senhor
Pergunte se ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado, Macho e Fêmea
O bicho, A flor
Criado para adorar o Criador
E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguem com tanto amor
Para amar Nosso Senhor
Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento
Terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno do Criador
Ou será que o Deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra
Leite e Mel
E esses vales são de Deus
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado
Desprezar quem lhe quer bem
Não vê que até Deu fica zangado
Vendo alguém abandonado
Pelo amor de Deus
- Chico Buarque -

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Águas de Março


"São as águas de março fechando o verão. É promessa de vida no seu coração"
- Tom Jobim -

domingo, 5 de abril de 2009

Te amo

Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder
Sem engano
É que eu preciso dizer que eu te amo
Tanto
E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu já nem sei se eu to misturando
Eu perco o sono
Lembrando em cada riso teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira
Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano
- Bebel e Cazuza -

O padre e a Morte

- Você denovo por aqui? - Perguntou o Padre
- Por que, a minha presença lhe incomoda?! - indagou a Morte
- Não, já estou tão acostumado que nem ligo mais, mas o que lhe traz aqui?!
- O de sempre, mas agora foi Júlio da Rua Nove...
- Ele de novo?! - Interrompeu o Padre com grande espanto
- Me procurou novamente essa manhã, não fiquei muito surpreso, até já esperava por isso
- Como foi? - Indagou o Padre sentando-se sobre uma das cadeiras da Igreja
- Ele acordou, viu que seus pais não estavam mais em casa, passou um longo tempo olhando pela janela a chuva primaveril que caia sobre as árvores, logo depois foi até o banheiro pegou um dos soníferos de sua mãe e os tomou desesperadamente - Disse a Morte enquanto o Padre mirava-o atentamente - Até acho que foi menos doloroso do que a primeira vez, na qual ele fracassou
- Oh, pobre garoto, só de pensar que ele tinha uma vida toda pela frente me dá uma angústia - Falou o Padre desolado olhando atentamente um ponto fixo da sala
- Ele não foi o primeiro nem será o último
- Como você pode ser tão seco por dentro?! - Indagou o Padre assustado com tal afirmação
- É apenas o meu oficio - Aproximando-se um pouco continuou - Todos os dias tenho que vir buscar muitas pessoas, mas quando elas vem me procurar por conta própria eu não posso negá-las uma escolha delas...
- Mas e da primeira vez que Júlio tentou o suícidio você o deixou escapar - Interrompeu o Padre furioso
- Ele não tinha certeza da sua escolha, aquilo pareceu-me mais um pedido de socorro ou de atenção, mas dessa vez seus sentimentos eram outros e suas certezas já estavam confirmadas.
- Mas isso não lhe dava o direito de tirar sua própria vida...
- Que vida?! - Interrompeu a Morte furioso - Muitos apenas vivem para respirar, outros vivem apenas para existir, eu não o matei, nem ele mesmo se matou, na verdade ele já estava morto a muito tempo, morto por dentro, morto por cada sentimento que o corrompeu, por sua angustia, seus medos, seus sonhos perdidos. Da primeira vez eu tentei mostra-los que ele precisava de ajuda, apoio, voces pareceram não entender continuaram a se preocupar apenas com seus mundinhos pequenos e preenchidos por um vazio inútil. Dessa vez eu não pude negá-lo um desejo, desejo de liberdade. Júlio apenas existia e nada mais.

Levantando-se e pouco conformado o padre perguntou friamente:
- Os pais dele já sabem?
- Não. Irão saber hoje a noite quando chegarem.
- Quando será o enterro?
- Talvez amanhã.
- Pois bem, estarei lá. - Quando a Morte ia retirando-se o Padre perguntou - Posso lhe pedir uma coisa?
- Sim Padre.
- Preze pelos outro.
- Impossível Padre, impossível.

A Morte retirou-se da Igreja e foi cumprir suas tarefas bem longe dali.´
(Estevão Eduardo)

sábado, 4 de abril de 2009

A quatro palmos do chão



"A chuva de outono caia sobre as árvores, enquanto a brisa matinal tentava apagar as velas que acendiam. Lá fora sobre o brilho fraco do sol fazíamos promessas de amor, enquanto o chuvisco caia sobre o rosto cansado deles. Sabíamos que nunca poderíamos cumprir todas aquelas juras, mas o sonho era a nunca razão pela qual ainda dormíamos."
(Estevão Eduardo)

A doença de amar

"O amor é uma doença
Que costuma andar no ar;
Só de ir janela, às vezes
Se apanha a febre de amar!"
- Eça de Queiroz -

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O gosto do vinho

Preciso ouvir da tua boca vermelha
No meu ouvido gelado
Segredos só teus
Preciso sentir tua pele
Esquentar a minha
Teu olhos
Me devorarem
Da cabeça aos pés
Preciso sentir o cheiro
Do teu cigarro
Na minha boca
Te sentir desbravar
Cada parte do meu corpo
Preciso te ter dentro
De mim
Preciso sentir o peso
Do teu corpo
Sobre o meu
Preciso sentir
Seu néctar
Sobre mim
Preciso sentir o frio
Das tuas mãos
Afagando meus cabelos
Acariciando minhas costas
Preciso dos teus dedos
Entrelaçados aos meus
Preciso sentir
O gosto do vinho
Vindo direto
De ti
- Estevão Eduardo -

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Meu coração, sua flor

Sem mais amores, sem mais palavras, sem mais olhares. Prometi arrancar meu coração e da-lo apenas para você. Te doei todo meu ser, todo meu tempo e pensamento apenas para te ter. Você o transformou em uma flor, prometeu cuidar...
(Estevão Eduardo)

A terra sem fim


Tão pequeno em um mundo tão grande
Tão vazio num mundo tão preenchido
Tão solitário num mundo tão cheio de pessoas
- Estevão Eduardo -

quarta-feira, 1 de abril de 2009

As virgens suicidas

Atenção, o trecho a seguir pertence ao livro As virgens suicidas, de Jeffrey Eugenides. É um dos trechos finais do livro, então se você pretende ler a estória completa , PARE agora:

"[...]
A essência dos suicídios não consistia em tristeza ou mistério, mas em simples egoísmo. As garotas apossaram-se de decisões que é melhor deixar entregues a Deus. Tornaram-se poderosas demais para viver conosco, preocupadas demis consigo mesmas, visionárias demais, cegas demais. O que arrastavam atras de si não era a vida, que é sempre vencida pela morte natural, mas a mais trivial lista de fatos mundanos: um relógio na parede marcando seu tique-taque, um quarto em penumbra no fim da tarde, e a afronta de um ser humano pensando apenas em si mesmo. Seu cérebro apagando-se pra o resto, mas chamejantes em exatos pontos de dor, feridas pessoais, sonhos perdidos.
[...]"

Não pedirei mais

Peço
Peço a ti
Que me peças
Que te queira
Porque quero
Cada pedido
Vindo de ti
Peço
Peço a ti
Que não queira
Que me vá
Porque a noite
Está fria e o que
Mais quero é ficar
Peço
Peço a ti
Que me queiras
Porque a cada
Pedido está meu pesar
Pesar de querer
Querer
E estar
- Estevão Eduardo -