sábado, 18 de julho de 2009

O brilho do Sol

Ainda era noite. A chuva caia lá fora e dentro do quarto Hugo tentava dormir revirando-se na cama. Nada permeava seu pensamento apenas um vazio. E veio uma vontade repentina nele de se encolher entre os lençóis e desaparecer. Ele sentia um nada dentro dele, uma falta imensa de algo que nem ele sabia explicar - apenas sentia. Uma sensação começou a aliviá-lo, um alívio por saber que todos que ele amava, naquele momento, estavam dormindo em um sono profundo. Apenas ele, às quatro horas da manhã, estava acordado. Isso pertubava-o de certa maneira que logo veio uma vontade de gritar. Gritar para ser ouvido por quem fosse, apenas para ele ter a certeza de que ainda estava vivo. Algumas lágrimas corriam por sua face e algo prendia a respiração que ofegante tentava sair pela sua boca e sua garganta parecia estar sufocada. Ele suspeitava que naquele momento sua vida já não existisse, e que aquele sentimento de vazio era a morte, e a morte era o nada. Mas logo ele ouviu o som da chuva caindo na rua de sua casa, e ele lembrou que ainda estava vivo, mas o frio desacreditava-o. Naquele momento desejou nunca sair de sua cama, desejou nunca amanhecer, desejou nunca ter que contar a verdade, desejou ter que viver sonhando. Por que o sonho, o sonho sim era bom, no sonho não havia lágrimas, não havia frio, não havia chuva. Ele tomou coragem e decidiu se levantar e ir a janela e sentir o frio da chuva, as gotas que lavariam a alma e que o lembrariam de que a vida pode ser um sonho. A pequenos e vagos passos dirigiu-se até a janela e viu o Sol longínquo querendo aparecer dentre as nuvens amareladas. E o Sol lutando contra a força do frio, da chuva, das nuvens, tentava brilhar, pois já era chegada sua hora. E nessa hora Hugo já não brilhava mais.

- Estevão Eduardo -

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