Eu tenho medo. Medo de mim. Medo de você. Medo do que eu sinto. Eu procuro me achar, mas desisto. Tenho medo do que acharei. Se eu irei suportar, se os outros irão suportar. Eu tenho medo do hoje, do ontem, do futuro não. Não tenho costume de ter medo de algo que não conheço. Eu me conheço? Talvez. Uma resposta simples e indireta a uma pergunta que rasga dentro de mim. Tenho receio do que acredito. Tenho medo de que não seja do modo como eu penso. Tenho medo de ter a certeza do sim. Procuro me libertar, mas agora percebo que há uma certa comodidade nas prisões. No acreditar nos outros. É bem melhor do que acreditar em mim. E no que acredito? Em tantas coisas. Coisas essas que me foram impostas a acreditar desde o útero da minha mãe. E desbravá-las agora seria desacreditar a todos. Por isso prefiro a prisão das ideias. E se tenho as minhas? Sim. Passo dias e noites concebendo-as e chegando a conclusões terríveis. Conclusões bonitas cheias de vontade, cheias de imaturidade. Mas as guardo. Elas são minhas e só minhas. Contá-las seria amedrontador. Pois eu tenho medo. Medo do que sinto.
- Estevão Eduardo -
Nenhum comentário:
Postar um comentário