As cores eram azul claro, cinza, vermelho e sépia. O menino era jovem, alto e bonito para sua idade. O local era escuro, iluminado apenas pelo sol crepuscular que invadia a janela coberta pela cortina. Deitado sobre o sofá a situação nada mais era que melancólica. A música que tocava era "Sometimes" do grupo My bloody valentine, baixa porém inquietante, e por um átimo de segundo os intrusos não ouviriam mais o som que acabava-se. O sangue escorria lento pelas almofadas. A prova do auto crime encontrava-se ao chão. Quem viu não entendeu, não como, mas o por quê. Na parede via-se escrito de giz de cera azul a seguinte frase: " Não há o que entender, somente há o que sentir, e nesse momento eu não sinto mais o que deveria. E se for pecado tentar sentir a vida, eu sinto muito em ter pecado. Morte e vida complementam-se. Eu não morri em vão. Morri buscando a vida." Os que entraram subitamente não sabiam se olhavam a mensagem ou seu escritor. Mas sabiam que aquele momento não era um simples momento. Era um encontro de compensação entre viver e morrer. A onda de suicídios na cidade começou quando um só morrera. E por intermédio de uma só morte vários descobriram a vida.
- Estevão Eduardo -
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
O feriado
Os sonhos estavam todos sobre a cama e foi difícil pra mim ter que encara-los de forma com a qual eu pudesse lidar com a falta que os mesmo sonhos me fazem lembrar. Não foi culpa nossa, apenas fomos vitimas de algo que sobrepôs os sentimentos, matando algo mais lindo, mais sincero, porem impossível. Meus livros, minha única companhia nessa tarde insossa, estavam ao meu lado quando me veio a sensação de sua presença ali, ao meu lado, abraçando-me quando eu mais precisava. Dormi. Meio acordado sentia suas pernas entrelaçadas às minhas. Suas mãos tocando as minhas. Seu corpo quente cobrindo o meu gelado. E mais uma vez sonhei, como sempre, agora acordado. Me enganei durante minutos esperando o impossível, o inacreditável ocorrer. Não ocorreu. Acordei. Por mais que quisesse permanecer ali, a realidade me chamava sonolenta, pedindo para que acabasse a farsa. E minha vida voltou a funcionar como antes. Insossa, monótona, pecaminosa, permeada de hábitos inúteis. Quis fugir. Quis morrer. E por um minuto quis você. Ali tão próximo quanto a vontade louca e suicida que me latejavam a mente vazia. Músicas não eram mais ouvidas, na realidade não há músicas. Há o silêncio que corrói, que dói. Pus minhas mãos sobre o rosto e tentei identificar-me com o ser que esperava continuar sendo. Pus os pés no chão e caminhei até o sofá. Olhei para o nada e minha mente era inabitada, era vazia, como meus sentimentos naquele momento. E por você eu quis não ser, e ser o que não queria, quis você sendo o meu ser, dentro, fora, sussurrando o amor e desbravando o silêncio que bate e quebra minha alma.
- Estevão Eduardo -
sábado, 5 de setembro de 2009
Agora
Eu poderia estar com você agora. Eu poderia querer ser o que você sempre quis que eu fosse agora e sem demoras, pra você, por mim. Eu poderia rolar sobre seu corpo todo sem medo. Eu gostaria de parar esse enjoo que me faz sua falta. Eu queria poder olhar para seu rosto nesse momento. Eu gostaria de poder estar com você agora em vez de estar escrevendo sobre você agora.
Silêncio..'
- Estevão Eduardo -
Silêncio..'
- Estevão Eduardo -
Faça acontecer
Agora eu não tenho nada pra fazer, e eu odeio esperar que algo de bom aconteça e pincele meu quadro. Torço para alguém aparecer e colocar amor na minha vida insossa. E com a chegada da maturidade me sinto agora só. Forçado a viver pelas esquinas a procura de algo que me deixe alegre. Eu to esperando a vida vim. Eu to esperando a vontade de ver vim. Eu quero o amor simples assim, como você quis eu quero. E se pudessemos apenas parar de pensar eu gostaria de poder pensar em você. Mas agora eu não penso, eu apenas respiro e vegeto a cada minuto sem que algo aconteça de bom em mim, pra mim. E hoje tá insuportável viver a vida de uma forma alegre sem que algo de alegre aconteça. Portanto venha e faça acontecer.
- Estevão Eduardo -
- Estevão Eduardo -
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