Ela pôs a mão sobre aquele corpo frio, liso. Deslizou os dedos por entre as curvas de sua cintura, deixando escorrer por entre as mãos o pecado. Aquele corpo nu em frente ao espelho, sentindo cada pedaço do seu ventre, o cabelo por cima dos ombros, deslizando pelas costas, sendo conduzido pelo vento. Ela colocou as mãos no seios e os apertou forte, apalpou-os como nunca o fizera, sentiu aos poucos eles enrijecerem, deixou que o arrepio tomasse conta de seus braços, e sentindo a brisa fria da manhã entrar pela janela, ela deixou estar, só por esse momento. Deixou sentir o corpo esquentar. Levantou as mãos até o ombro e as foi posicionando na nuca, retirando cada fio de cabelo que pousava nas costas, sem pressa, pela primeira vez, sem pressa. E suspendeu o cabelo encaracolado como num ato de libertação, revelando agora seu local mais precioso, a nuca, que nesse momento sentira o frio matutino. E ela soltou um suspiro em forma de gozo, e em seus olhos entreabertos nada se notava, mas em sua boca um sorriso desprendera-se, e assim ficara até abrir os olhos novamente e se deparar com sua imagem em frente ao espelho. Ela olhou em seus próprios olhos, parada, segurando os cabelos. Retornou as mãos aos ombros e deixou-as ir caindo, abrindo espaço em cada curva daquele corpo frio, que se ouriçava a cada toque. E ela pôs as mãos sobre o ventre, deixou-as ali, como se estivesse sentindo um novo ser em seu interior, mas nada batia lá dentro, nada estava a morar naquele ventre, e só por um momento sua mente se desviou do errado. Foi abaixando as mãos sobre o ventre e deslizando-as até suas coxas, parou por um momento nesse ponto, mas seu corpo queria mais, seu corpo gritava e fervia por dentro, e seus dedos foram aos poucos abrindo caminhos até sua virilha e permanecendo por ali até o momento de, enfim, chegar ao seu destino. E ela pôs cada dedo, aos poucos, sem pressa, por cima de cada fenda, cada espaço que se abria dentro de si mesma, e com os olhos fechados ela sentia cada parte, até o momento de poder adentrar, por completo, em seu próprio caminho. Uma mão só sobre sua cria, a outra sobre os seios, alternando por cima de cada um, acariciando levemente e descendo para o ventre para, por fim, se encontrar com a outra mão. E seu corpo já não aguentava mais ficar em pé, de tanto que ele fervia, se retorcia, e ela caiu por completo no chão, mas não parou. Com a cabeça encostada no pé da cama e com suas pernas suspensas em frente ao espelho, ela continuou até perceber que já descobrira mais de si mesma do que qualquer outra pessoa poderia descobrir, ela pôde desfrutar de seu próprio amor, do seu próprio encanto, sem vergonhas, sem luzes apagadas, sem falsas promessas. Era ela e ela própria, e por fim, descansou.
- Estevão Eduardo -
sábado, 7 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Mais uma .
Eu parei. Soltei um leve suspiro que tomou todo o meu corpo. Minha cabeça doía. Meus braços soltos, meu corpo leve, tremendo a cada toque que o vento, daqueles do mês de Julho, me tocava à pele. Não arrepiava porque nunca fui propício a arrepios, mesmo que acompanhados de grandes surpresas. Mas não era uma surpresa que me vinha a mente naquele exato momento. Também não diria que houvesse sido uma revelação, até porque, já me havia sido revelado e esse era um dos meus "maus", a maldita revelação de cada dia. Mas naquele momento percebi que não me foi difícil acordar. Há dias que vinha numa dificuldade incrível de acordar, não porque era difícil de fazê-lo, mas sim, porque era deprimente. Cada dia eu abria os olhos e nascia novamente, mas aí a maldita revelação me vinha de surdina à mente, se enfiando de guela abaixo, recordando cada lembrança amarga, coisas que não se têm quem acaba de nascer. Mas nesse dia, nesse dia, eu já não havia deplorado ter que encarar a verdade, talvez porque no dia anterior eu havia falado o que se prendia na minha garganta. Vomitado minhas desconfianças e torturas à respeito de algo que nunca se viu, nem ouviu, apenas histórias. E eu ali, sentindo a brisa do vento forte, que já não era mais brisa, tentando me segurar nas paredes de minha própria segurança, apenas para me manter firme, apenas para dizer a mim mesmo que eu já havia desfalecido e que agora, de uma forma ou de outra, já não precisava deplorar ter que acordar, porque de certa forma, e isso é o mais irônico, aquela situação já não me doía. Já havia saído de mim. E eu, eu passei a falar pra mim mesmo, agora ouvindo minha própria voz, não a do pensamento, que só ouve a si mesma, mas a voz que saía da minha garganta e pulava pra fora da boca, e que se fazia chegar até os ouvidos, como agora uma nova revelação. Mas que não me afligia. Respirar tem sido uma das minhas maiores obras primas, talvez minha maior superação, pois aos poucos venho desistindo de entender os desígnios não só de deus, mas do ser humano, e respirar é o que me basta. Olhar pro mar, sem ter que me importar em sabê-lo quem o criou, ou se pessoas, no mais alto clímax de sua paixão, se amaram naquelas areias, fazendo-me recordar algo de que nunca tive a oportunidade de viver. Respirar é definitivamente minha arte suprema, sem ela não seria o artista que sou, e quando pará-lo talvez, assim quando o destino bem lhe entender, estarei destinado a ser lembrado. Lembrado como o cansado de pensar, de nunca arriscar, de parar, saltar leves suspiros, exceto os da minha arte, e assim apenas existir.
- Estevão Eduardo -
- Estevão Eduardo -
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