Do lado de fora chovia e Ana e Carlos dentro do quarto abraçados tentavam conter o frio que tocava a pele. Sobre a cama eles descansavam. Carlos ainda dormia e Ana acordada lançava seus braços por entre o corpo de Carlos numa tentativa frustrada de conter o frio. De repente passou por Ana um desespero, uma vontade de chorar imensa, sentindo-se desprotegida ela aconchegou-se ainda mais perto de Carlos e no seu peito tentava se esconder de um medo que nem ela conhecia. Começou e pensar na possibilidade de perde-lo e de não tê-lo mais ali em sua cama, abraçado com ela, desfrutando do amor e da paixão. Em sua cabeça um amontoado de lembranças rondavam seus pensamentos, lembranças do começo, de quando haviam se conhecido e quão boba fora. Lembrou o primeiro desentendimento e de como haviam se resolvido. Por entre essas lembranças, duas lágrimas corriam em sua face pálida. Aproximou seus pés junto aos dele. Quis a qualquer preço saber o que se passava em sua mente, quis mergulhar em seus pensamentos, descobrir seus medos e consola-los. Quis tornar-se uma parte dele, parte indispensável de sua vida. Quis saber tudo sobre a sua infância, o primeiro beijo, a primeira namorada, a primeira polução e com quem fora sonhando. Em troca quis contar sobre seus gostos, suas qualidades, seus defeitos, e ver em seus olhos brilhantes um interesse incomum. A chuva continuava forte e as rajadas d´água na janela deixavam-na tão desesperada que seu desejo era tomar Carlos quase como um abrigo. Começou a olha-lo de uma forma diferente, a sua face nunca lhe pareceu tão lívida e tranquila, sentiu um gozo imenso em poder saber que ali ele estava protegido e seus pensamentos, talvez vazios, num descanso quase eterno. Suas mãos, tão finas, rodeavam-nas por entre suas costas, e aquilo lhe dava uma sensação de segurança imensa, se fosse possível nunca sairia dali. Gostaria de permanecer assim por toda a eternidade. Carlos ao acordar, soltou um sorriso longo e silencioso para Ana, e seus olhos não contiveram-se soltando mais algumas lágrimas pequenas.
- Estevão Eduardo -
sábado, 30 de maio de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Humanos-robôs
"Sociedade nojenta, composta por membros hipócritas de ideias alienadas. Sempre fui contra a intolerância, o desrespeito pelo próximo. A medida que o ser humano avança ele regride, continua a construir a linha tênue que separa o que ele acha certo do que o que ele acha errado, tomando seus próprios conceitos sem ao menos conhecê-los, é daí que surge o que conhecemos por preconceito. Esses ideais de superioridade tem suas bases na antiguidade, será que estaríamos forjando um falsa democracia assim como os atenienses na Grécia Homérica? Ou estaríamos nos sujeitando a ideais preconcebidos assim como Hitller, prevendo que nossa classe é melhor que a do outro? Vale ainda salientar que vivemos na época mais conhecida como Idade comteporânea, mais precisamente século XXI. E com todos esses exemplos de intolerância o ser humano ainda não aprendeu a respeitar a cultura, a escolha do seu próximo. A medida que damos um passo a frente em quesitos tecnológicos e "pseudo-sociais" regredimos, equiparando-nos com seres da antiguidade. Isso fica bem claro na passagem para Idade Moderna, quando na Revolução Francesa o homem buscando o "futuro" e a república, opta por utilizar metódos mais grosseiros que os usados pelos homens da Idade Média, para conseguir seu feitio. O que podemos ver são duas linhas paralelas que caminham em sentidos contrários. Não podemos esquecer que o respeito pelo outro e sua cultura, além de sua inclusão na sociedade é um dos pilares básicos do sistema de governo que vivenciamos, a democracia. Porém o ser humano parou de pensar, parou de avaliar e principalmente parou de evoluir. Nascemos para viver em sociedade, e essa não seria perfeita se todos fossem iguais e tivessem as mesmas culturas. A individualidade, a intolerância e o egoísmo se tornaram as principais armas que muitos usam. E é contraditório pensar que o ser humano que se diz um ser pensante, o único animal racional, não consiga evoluir para um estágio que eu chamo de interação. Então o que teremos no futuro? Simples, humanos high-tecs de mentalidade ínfima."
- Estevão Eduardo -
- Estevão Eduardo -
terça-feira, 26 de maio de 2009
Vamos brincar de fingir
Nós poderíamos fingir.
Fingir que nascemos
Fingir que brincamos
Fingir que crescemos
Fingir que nos encontramos
Fingir que nos apaixonamos
Fingir que vivemos um grande amor
Fingir que brigamos
Fingir que nos separamos
Fingir que encontrassémos outra
Fingir que vivemos
Fingir que morremos.
Enfim fingir que existimos.
Apenas fingir, e nada mais!
- Estevão Eduardo -
Fingir que nascemos
Fingir que brincamos
Fingir que crescemos
Fingir que nos encontramos
Fingir que nos apaixonamos
Fingir que vivemos um grande amor
Fingir que brigamos
Fingir que nos separamos
Fingir que encontrassémos outra
Fingir que vivemos
Fingir que morremos.
Enfim fingir que existimos.
Apenas fingir, e nada mais!
- Estevão Eduardo -
domingo, 24 de maio de 2009
Maldita insegurança
"Eu quero ser um bom amigo
Eu quero encontrar meu melhor amigo
Alguém que queira ficar
Alguém que não se vá."
Uma pequena parte
"As vezes me pego confrontando-me com minhas próprias ideias. Parece confuso e ao mesmo tempo sinto raiva de mim por isso. Sei que preciso ser mais acessível, menos antipático, e quando aparece uma oportunidade para tal, eu me fecho em meu mundo em escuridão, repleto por minhas ideias frias e fantasiosas. Isso me faz perceber que nunca serei o que gostaria. Meu mundo, um lugar tão grande dentro de um local tão pequeno, tão cheio de fantasias, tão cheio de angústias e medos. Alegrias, tristezas. Já tive tantos amores, e o incrível é que sempre volto para o mesmo, você. Vivo nele desde que fui proibido de viver no mundo real, dentro dele entram apenas aqueles que me interessam, aqueles que fazem a diferença, aquelas pessoas que não apenas passam. No meu mundo, as vezes eu não sou eu, as vezes eu sou. No meu mundo não existem castelos, nem pessoas famosas, apenas eu e você. Deitados na cama até o dia amanhecer conversamos sobre a vida, sobre nós. Abraçados na chuva enfrentamos o frio. Lendo seus livros eu viajo até seu mundo. Você me traz de volta ao meu. E assim vivemos, não temos medo do fim pois não temos começo. Durante a noite olhamos as estrelas e preenchemos o silêncio com as batidas do meu coração, que aceleram quando você olha em meus olhos. Vivemos para hoje, e se não tivermos amanhã, que assim seja."
- Estevão Eduardo -
- Estevão Eduardo -
sábado, 23 de maio de 2009
Dúvida
"Você não pode saber se uma pessoa gosta de você. Você só pode acreditar ou ter esperança que assim seja."
- O mundo de Sofia -
- O mundo de Sofia -
Confissão de um amante
"As vezes me sinto tão só, amparado apenas pela angústia de uma lembrança tão pequena quanto o ser que somos. Não que eu esteja reclamando da vida, mas para que tê-la sem te ter? Percebi hoje que eu não te amo. Eu apenas amo amar, me sentir desejado e amado, isso é uma necessidade. Me apaixonei por mais duas pessoas hoje, de novo, e isso me quebra por dentro. Saber que essas pessoas seguirão sua vida sem terem ao menos me notado, eu creio, e se apaixonando por outras pessoas e sofrendo, que lástima. O amor é mais forte que eu, me desculpa. Eu também não te culpo se voce se apaixonar por outras pessoas, afinal você não me pertence. Eu procuro dia e noite por você, em meus sonhos, nos rostos dos outros. A falsa alegria disfarça minha verdadeira solidão. Se não te tenho sofro, se te tenho torço para que te vás. Não sei, mas o sentimento de saudade me faz sentir-se vivo e só me sentindo vivo é que posso querer morrer. Uma das pessoas por quem me apaixonei hoje aparece de vez em quando em minha vida, estranho mais eu adoro olhar para suas mãos, sei lá, pensar que minhas mãos poderiam estar entrelaçadas àquelas. Perdoe-me por favor, eu sei, milhares de vezes as minhas mãos estiveram entrelaçadas às suas, e agora as traio, perdoe-me. Essa solidão acaba comigo e preciso disfarça-la afinal estou rodeado por pessoas que não me compreeendem e que nem apenas me conhecem, meus familiares. Se você puder me ouvir, peço-te venha me resgatar e juntos iremos viajar para onde o sol apenas nasce. Quero sair, estou cansado, cansado dos mesmos rostos, das mesmas pessoas sem conteúdo, dessa falsa educação. Quero encontrar pessoas que me entendam, que falem a mesma língua que eu, quero te encontrar, me encontrar em você. Enfim não quero apenas existir, quero viver, e se for para viver que seja ao seu lado."
- Estevão Eduardo -
- Estevão Eduardo -
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Você
Teu olhar, meu castelo.
Tua pele, minha neve.
Tua boca, meu brinquedo.
Teu peito, meu travesseiro.
Teus pés, meu santuário.
Tua garganta, meu cabide.
Teu cabelo, meu sol.
Teu sorriso, meu cativeiro.
Você, o único motivo pelo qual ainda respiro.
- Estevão Eduardo -
Tua pele, minha neve.
Tua boca, meu brinquedo.
Teu peito, meu travesseiro.
Teus pés, meu santuário.
Tua garganta, meu cabide.
Teu cabelo, meu sol.
Teu sorriso, meu cativeiro.
Você, o único motivo pelo qual ainda respiro.
- Estevão Eduardo -
sábado, 9 de maio de 2009
Diário de um ladrão
"A sociedade, tal como vocês a constituem, eu a odeio. Eu sempre a odiei e vomitei. (...) Desde que encontrei na literatura um exultório, meu ódio tomou uma outra forma, menos pessoal: ele não se traduz mais num impulso interior mais ou menos acidental, ele se deduz de uma filosofia aclarada pela experiência. De um rancor nasce uma idéia. E essa idéia torna-se, à medida que avanço dentro de minha obra, mais serena e mais indestrutível. Eu o sei, eu o testemunho: a ordem social não se mantém senão ao preço de uma infernal maldição que aflige os seres, dentre os quais os mais vis, os mais nulos estão próximos de mim – quer isso agrade a vocês ou não – que qualquer burguês virtuoso e assegurado. Para sempre eu me fiz intérprete dos dejetos humanos, dos resíduos que apodrecem nas prisões, debaixo das pontes, no fundo da fétida podridão das cidades”.
- Jean Genet -
- Jean Genet -
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Triste Fim
' Você era tão inocente
E de repente foi jogada num mundo de horrores
Todos queriam ser você
Todos queriam ter você
Não a culpo,
Tudo que você fez foi um jogo
Um jogo de escape
Saída desse mundo real
De repente sua felicidade
Era apenas um espelho
Que refletia apenas o que você queria ver
Dinheiro, fama...
O que mais importa?
Nada. A não ser sua dignidade
Mas agora...não!...o que vejo?!
Eles agora te queriam
Não por você
Mas contra você
Triste fim...
O seu e o meu.
E de repente foi jogada num mundo de horrores
Todos queriam ser você
Todos queriam ter você
Não a culpo,
Tudo que você fez foi um jogo
Um jogo de escape
Saída desse mundo real
De repente sua felicidade
Era apenas um espelho
Que refletia apenas o que você queria ver
Dinheiro, fama...
O que mais importa?
Nada. A não ser sua dignidade
Mas agora...não!...o que vejo?!
Eles agora te queriam
Não por você
Mas contra você
Triste fim...
O seu e o meu.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Summertime
"Summertime,
And the livin' is easy
Fish are jumpin'
And the cotton is high
Your daddy's rich
And your mamma's good lookin
'So hush little baby
Don't you cry
One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky
But till that morning
There's a'nothing can harm you
With daddy and mamma standing by"
- Scarlett Johnasson -
And the livin' is easy
Fish are jumpin'
And the cotton is high
Your daddy's rich
And your mamma's good lookin
'So hush little baby
Don't you cry
One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky
But till that morning
There's a'nothing can harm you
With daddy and mamma standing by"
- Scarlett Johnasson -
Contra a maré
"Porque nós somos jovens
E coisas estão erradas
Nós perderemos as correntes
Nós faremos as coisas certas
Antes de o sol ir abaixo
E fora de alcance
Nós perderemos as correntes
Porque você e eu
Nos movemos contra a maré"
E coisas estão erradas
Nós perderemos as correntes
Nós faremos as coisas certas
Antes de o sol ir abaixo
E fora de alcance
Nós perderemos as correntes
Porque você e eu
Nos movemos contra a maré"
- The radio dept. -
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