Do lado de fora chovia e Ana e Carlos dentro do quarto abraçados tentavam conter o frio que tocava a pele. Sobre a cama eles descansavam. Carlos ainda dormia e Ana acordada lançava seus braços por entre o corpo de Carlos numa tentativa frustrada de conter o frio. De repente passou por Ana um desespero, uma vontade de chorar imensa, sentindo-se desprotegida ela aconchegou-se ainda mais perto de Carlos e no seu peito tentava se esconder de um medo que nem ela conhecia. Começou e pensar na possibilidade de perde-lo e de não tê-lo mais ali em sua cama, abraçado com ela, desfrutando do amor e da paixão. Em sua cabeça um amontoado de lembranças rondavam seus pensamentos, lembranças do começo, de quando haviam se conhecido e quão boba fora. Lembrou o primeiro desentendimento e de como haviam se resolvido. Por entre essas lembranças, duas lágrimas corriam em sua face pálida. Aproximou seus pés junto aos dele. Quis a qualquer preço saber o que se passava em sua mente, quis mergulhar em seus pensamentos, descobrir seus medos e consola-los. Quis tornar-se uma parte dele, parte indispensável de sua vida. Quis saber tudo sobre a sua infância, o primeiro beijo, a primeira namorada, a primeira polução e com quem fora sonhando. Em troca quis contar sobre seus gostos, suas qualidades, seus defeitos, e ver em seus olhos brilhantes um interesse incomum. A chuva continuava forte e as rajadas d´água na janela deixavam-na tão desesperada que seu desejo era tomar Carlos quase como um abrigo. Começou a olha-lo de uma forma diferente, a sua face nunca lhe pareceu tão lívida e tranquila, sentiu um gozo imenso em poder saber que ali ele estava protegido e seus pensamentos, talvez vazios, num descanso quase eterno. Suas mãos, tão finas, rodeavam-nas por entre suas costas, e aquilo lhe dava uma sensação de segurança imensa, se fosse possível nunca sairia dali. Gostaria de permanecer assim por toda a eternidade. Carlos ao acordar, soltou um sorriso longo e silencioso para Ana, e seus olhos não contiveram-se soltando mais algumas lágrimas pequenas.
- Estevão Eduardo -
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