segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Reações de compensação

As cores eram azul claro, cinza, vermelho e sépia. O menino era jovem, alto e bonito para sua idade. O local era escuro, iluminado apenas pelo sol crepuscular que invadia a janela coberta pela cortina. Deitado sobre o sofá a situação nada mais era que melancólica. A música que tocava era "Sometimes" do grupo My bloody valentine, baixa porém inquietante, e por um átimo de segundo os intrusos não ouviriam mais o som que acabava-se. O sangue escorria lento pelas almofadas. A prova do auto crime encontrava-se ao chão. Quem viu não entendeu, não como, mas o por quê. Na parede via-se escrito de giz de cera azul a seguinte frase: " Não há o que entender, somente há o que sentir, e nesse momento eu não sinto mais o que deveria. E se for pecado tentar sentir a vida, eu sinto muito em ter pecado. Morte e vida complementam-se. Eu não morri em vão. Morri buscando a vida." Os que entraram subitamente não sabiam se olhavam a mensagem ou seu escritor. Mas sabiam que aquele momento não era um simples momento. Era um encontro de compensação entre viver e morrer. A onda de suicídios na cidade começou quando um só morrera. E por intermédio de uma só morte vários descobriram a vida.

- Estevão Eduardo -

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