Os sonhos estavam todos sobre a cama e foi difícil pra mim ter que encara-los de forma com a qual eu pudesse lidar com a falta que os mesmo sonhos me fazem lembrar. Não foi culpa nossa, apenas fomos vitimas de algo que sobrepôs os sentimentos, matando algo mais lindo, mais sincero, porem impossível. Meus livros, minha única companhia nessa tarde insossa, estavam ao meu lado quando me veio a sensação de sua presença ali, ao meu lado, abraçando-me quando eu mais precisava. Dormi. Meio acordado sentia suas pernas entrelaçadas às minhas. Suas mãos tocando as minhas. Seu corpo quente cobrindo o meu gelado. E mais uma vez sonhei, como sempre, agora acordado. Me enganei durante minutos esperando o impossível, o inacreditável ocorrer. Não ocorreu. Acordei. Por mais que quisesse permanecer ali, a realidade me chamava sonolenta, pedindo para que acabasse a farsa. E minha vida voltou a funcionar como antes. Insossa, monótona, pecaminosa, permeada de hábitos inúteis. Quis fugir. Quis morrer. E por um minuto quis você. Ali tão próximo quanto a vontade louca e suicida que me latejavam a mente vazia. Músicas não eram mais ouvidas, na realidade não há músicas. Há o silêncio que corrói, que dói. Pus minhas mãos sobre o rosto e tentei identificar-me com o ser que esperava continuar sendo. Pus os pés no chão e caminhei até o sofá. Olhei para o nada e minha mente era inabitada, era vazia, como meus sentimentos naquele momento. E por você eu quis não ser, e ser o que não queria, quis você sendo o meu ser, dentro, fora, sussurrando o amor e desbravando o silêncio que bate e quebra minha alma.
- Estevão Eduardo -
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