terça-feira, 9 de junho de 2009

Primeira vez

E o sol poente entrava pelas frestas da janela aberta coberta pela persiana. As roupas no chão misturavam-se aos livros espalhados pela estante e pela casa. E Diego deitado no chão com os pés no sofá olhava atentamente para o teto, como querendo desbravá-lo e chegar até as estrelas. Pensava em tudo que ocorreu, e um misto de emoções penetrava-o como uma adrenalina que se misturava a uma sensação de paz. Tudo parecia confuso, afinal aquilo era tudo que ele queria, porém um sentimento de culpa o punia. Relembrava seus corpos entrelaçados como um só e nos beijos ardentes trocados entre os gemidos que saiam involuntariamente de suas bocas. Pensava como foi bonito e do modo como ele sonhava. Sentir aquele corpo sobre o seu, pingando o suor que cheirava a paixão e seu rosto pálido que tentava penetrar o mais fundo de sua alma. E o amor transformava-se em desejo, e o desejo em amor, nada mais. Nem uma palavra, apenas o silêncio e o som do coração pulsando no peito. E o desejo tornara-se pecado em sua mente, e o pecado tornara-se certo a medida que o amor se fizera errado. Por que amor e pecado são irmãos e não há um sem o outro. E tudo que Diego queria era poder olhar naqueles olhos novamente e partilhar da intimidade que agora já fora descoberta. E por entre seus pensamentos alguém bate à porta. Diego levanta-se e caminha para atender, quando ao abrir a porta encontra seu amor que quando o olha lembra-lhe que agora não são mais dois e sim apenas um, um só, em carne e alma.

- Estevão Eduardo -

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