Estava tudo tão escuro, tão silencioso. Por entre aquelas ruas ninguém passava, apenas carros parados, lojas vazias e casas inabitadas formavam a paisagem que naquele momento Mateus admirava perplexo. Onde estava sua casa? Seus amigos e familiares? Onde estavam todas as pessoas? O frio tomava conta dele e o medo já habitava seu coração confuso. A uma hora atrás estava em casa dormindo, e ao acordar deparava-se com aquela situação. Aos poucos foi recuperando-se e um sentimento de coragem invadiu-lhe de modo que decidiu ir a procura de outras pessoas ou quem sabe uma saída que o levasse de volta para casa. Corria por entre as ruas desesperado, quando deparou-se com um senhor bastante velho que caminhava a passos curtos quase que conformado com aquele lugar. Correu em direção ao senhor, enchendo-lhe de perguntas, uma atrás da outra, deseperado por respostas:
- Onde estou? Qual o seu nome? Como faço para sair daqui? Como vim parar aqui?
Diante de tantas perguntas e nenhuma resposta, Mateus desesperou-se, o Senhor continuava a olhar para frente sem encará-lo e a andar como se nada ocorresse. Mateus jogou-se ao chão e numa tentativa desesperada rompeu em choros e lágrimas que escorriam por entre seus dedos. O senhor já adiante parou, e sem olhar para trás falou rapidamente:
- É impossível você querer sair de algo que lhe pertence
Mateus levantou a cabeça e confuso começou a fazer perguntas e mais perguntas, aquela resposta de nada havia adiantado, ao menos se ele entendesse o que isso significava.
O velho senhor o chamou:
- Venha comigo e prometo lhe mostrar o caminho de volta
Mateus num impulso levantou-se e correu até protrar-se ao lado do velho, e foi logo perguntando-lhe:
- Onde estamos? Que lugar é esse?
- Calma filho...você tem pressa.
- Mas é que eu estava em casa e de repente...
- Eu sei, e de repente você veio parar aqui. Isso acontece muito. Várias pessoas passam por aqui desesperadas por respostas e pelo caminho de volta, mas poucos encontram-o. Onde estamos? Bem, estamos aprisionados - e após uma breve pausa - aprisionados por queremos liberdade.
- Mas...como assim? Eu não entendo - disse Mateus mais confuso ainda
- Você foi preso aqui meu jovem, para que não sonhasse mais, para que não almejasse mais um sentimento de liberdade e descoberta, você era um garoto muito visionário, e muitas pessoas lá fora não se agradavam disso.
- Mas e como eu saio daqui?! - perguntou Mateus ainda confuso e agora perplexo.
- Não há saídas...
- Mas o senhor disse que me mostraria o caminho de volta - interrompeu Mateus furioso
- Eu lhe mostrei a verdade, e a verdade nada mais é que o caminho de volta, basta você acreditar e obedecer o que lhe pedem e aí talvez você saia daqui
- Obedecer? O que...a quem? - Mateus mais confuso ainda
- Desista meu jovem, desista de sonhar, de almejar um mundo melhor, desista de querer ser compreendido por todos, só assim você sairá desse mundo, dessa prisão - falou o velho serenamente
- Mas o senhor esta me pedindo pra desistir de viver...
- A vida não existe meu jovem, estamos todos destinados a morte. Você tem duas opções, voltar a sua casa ou ficar aqui
- Mas todas as duas opções me negam o direito de querer viver
- Voce tem as duas opções e um direito de escolha, voce tem o tempo que precisar - e o velho saiu andando enquanto Mateus continuava parado fitando-o.
- Espere - gritou Mateus correndo em direção ao senhor - já tomei minha decisão.
- Então diga meu jovem
- Vou ficar aqui
- O que?! Mas só você escolheu essa... - falou o velho espantado
- Bem meu senhor prefiro ficar só com meus sonhos a que ficar morto acompanhado.
(Estevão Eduardo)
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