Sempre quis escrever uma carta de amor. Envia-la para alguém que fizesse meu coração bater de ódio por não prestar atenção em mim quando falo, alguém que simplesmente pudesse me abraçar e deixar em mim seu cheiro pelo resto do dia. Gostaria de escrever nessa carta que eu não consigo viver sem aquela pessoa, e que seria necessário o mundo inteiro para nos separar. Poderia acrescentar que de vez em quando eu tento até esquecer que amo, mas algo maior dentro de mim, leia-se amor, não deixa. Poderia começar falando das desventuras que enfrentamos e de quanto tempo durou até que reconhecêssemos um para o outro que sim, nós nos amávamos. Entre algumas linhas, em pormenores, poderia recitar uma frase de algum autor ou quem sabe um trecho de um música que talvez tivesse embalado algum momento nosso. Não sei ao certo quantas folhas seriam necessárias para mostrar o imenso sentimento que guardo e que se resume em apenas quatro palavras. No final poderia, quem sabe, colocar promessas e esperanças sem fim. Prometeria ficar ao lado da pessoa que amo pelo resto da minha vida e dizer talvez que eu prefiro morrer a ter que te perder. Colocaria nela algum símbolo maior do nosso amor, algo que poderia nos representar ou até juntar o fato de sermos dois contra todos. Perfumaria ela com o meu cheiro, para que ficassem em sua memória o cheiro de seu amado. Colocaria a carta próximo a algum objeto seu ou talvez até lhe entregasse pessoalmente fazendo você prometer que não leria até que nos separassémos. Agiria como um tolo, escreveria besteiras, choraria como uma criança, escutaria sermões e daria a vida pelo simples motivo de ter sido amado por alguém como você. Sempre quis escrever uma carta de amor... mas talvez eu não tenha encontrado a pessoa certa para endereçar essas palavras, ou talvez você se recuse a recebê-la.
Silêncio.
- Estevão Eduardo -
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