Minha terra nunca dorme. Minha terra tem estrelas que brilham e ofuscam as luzes
de outras cidades, na minha terra as luzes brilham com mais força, o tambor bate
mais alto e a cidade nunca descansa. Lugar de homens bravos, do maracatu
atômico, das ruas repletas de história pra contar. Do Recife Antigo e os falos
do artista, das vilas que viraram cidades, da Olinda imortal, patrimônio do
mundo. Do sertão que passa sede, das crianças adultas, das mulheres valentes, do
banditismo. Na minha terra os coqueiros são mais altos, as frutas mais doces, os
oceanos mais largos, os rios mais longos e destruidores. Na minha terra o mangue
tem história, o pato nasce na lama e os homens nascem no mato. Olinda, com suas
ladeiras, suas noites e seu batuque. Recife, com suas pontes, seus rios, seu
brilho que nunca se apaga. Levo em mim cada parte desse estado, cada monte de
Jaboatão, cada serra de Gravatá, todos os lugares que os leões frequentam. No
meu sangue corre a lama dos mangues, toca o tambor dos maracatus, sofre as
enchentes dessa Veneza, a mais bonita de todas. Terra de Chico, dos zumbis, do
Manuel, do João Cabral, dos caranguejos com cérebro. Sou Pernambucano, sou Leão
do Norte, faço parte desse mundo, dessa vila, desse Estado que guarda o passado
visando o futuro.
- Estevão Eduardo -
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