Como descrever o indescritível? Como falar de alguém que não se acha, se reconhece?
Seus olhos procuravam o que ninguem sabia, tinha em sua mente pensamentos que instigavam a curiosidade de muitos. Assim era Apolo. Por muitos era considerado alegre, sua aparência jovial e demasiada bela atraia olhares de muitos, não era perfeito, mas seu rosto, e principalmente seus olhos sucumbiam o desejo de todos que se deliciavam com aquela pintura. Mas nem todos o achavam tão alegre, por vezes Apolo fechava-se em seu mundo, com a solitária compania de seus pensamentos que vagueavam entre a cidade e as pessoas, raramente parando em um só lugar. Apesar de ter uma vida que muitos almejavam o jovem sentia-se preso, solitário, sozinho, e mesmo acompanhado de muitas pessoas ainda sim sentia um breve sopro de solidão que permeava sua mente. Seu passatempo preferido era observar as pessoas passarem em frente a sua casa, que localizava-se perto de um ponto de ônibus, o que contribua para a movimentação de pessoas. Apolo poderia ficar horas a fio somente tentando advinhar o que se passava na cabeça das pessoas, para onde elas iriam, o que faziam da vida, em alguns momentos ele via algumas pessoas discutirem e chorarem, e por outras vezes, alguns cheios de alegria. Certa vez em uma dessas observações o jovem presenciou um fato terrível, um acidente que envolvera uma jovem que fora atropelada por um ônibus. A sua face demonstrava grande susto, mas ao se aproximar do local do acidente Apolo não conseguia parar de olhar para aquela vítima, tão compenetrado em seus pensamentos ele não derramava uma lágrima muito menos sentimentos revoltos, apenas olhava, em meio daquela multidão alvoroçada. No dia seguinte ao acidente Apolo não saiu de casa para cumprir seus afazeres de estudante, passou o dia todo em seu quarto com a lembrança daquela cena terrível que a um dia atrás presenciara. O nome da jovem vítima do acidente fatal era Julha, que no dia em que morreu estava se dirigindo ao curso de pintura em que se matriculara, ao qual Apolo tambem iria. Os dois se conheceriam e se tornariam grandes parceiros, culminando em um casamento amoroso e muitos filhos. E mesmo que isso nem passasse pela cabeça dele, no fundo ele sentia que Julha era uma parte da sua vida que estaria sendo retirada.
É nessa parte que as linhas paralelas do futuro e o presente se chocam, é quando o destino já não rege mais nossas vidas, e sentimos que tudo que sonhamos com um desconhecido(a) poderia ser com a pessoa que está ao seu lado agora.
(Estevão Eduardo)
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