quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fios soltos

07:30. Essa é a hora que meu despertador costuma tocar. Nem sempre foi assim, houve dias em que eu acordava às 08:00, e por incrível que possa parecer foram meus melhores dias. Passo minutos intermiváveis sobre a cama à espera de algo, mas nada acontece. Nem sei porque tenho despertador se de nada me serve. Durante as manhãs a vida parece tão insossa, às vezes acho a manhã o horário mais depressivo de todo o dia, pois você sabe que tem um longo dia pela frente, um longo dia vazio e repleto de nada. Há três meses que larguei meu emprego. Trabalhava em um escritório de advocacia, mas nem sempre gostei de trabalhar com isso, foi mais um sonho do meu tio do que meu. Somente há três meses, logo após a morte do meu tio é que vi que nada mais me prendia ao meu emprego e resolvi pedir demissão. Que meu tio não me ouça, mas foi a melhor coisa que já me aconteceu em toda vida. De lá pra cá venho sobrevivendo de umas economias que tinha feito há alguns anos, quando pretendia viajar para o Canadá, mas parece que agora já não vou poder mais, afinal nem sei porquê queria ir pro Canadá, eu nao sei falar inglês muito menos francês, eu acho que era mais um sonho de criança, quando eu ouvia meu tio falar sobre sua viagem à uma cidade de nome esquisito, eu acho que era Toronto. Mas a vida não é facil quando você está desempregado, apesar de você não gostar de seu antigo emprego, mas também desde que larguei o trabalho não procurei outro. Venho tentando me achar durante todo esse tempo, afinal desde os meus 17 anos que eu me perdi na vida de outras pessoas e acabei deixando a minha pelo caminho. Porém a lentidão dos dias não ajuda. Certos dias parece que nunca acabam e algumas semanas parece que nem passaram. Tempo pra pensar eu tenho suficiente, mas pensar no que eu sou ou no que eu poderia ter sido me deixa angustiado. Um dia desses eu me lembrei que quando eu era pequeno queria ser veterinário, sempre gostei de animais, mas não podia cuidar deles continuando a comer carne animal, era como ser um médico e nas refeições comer carne humana, que nojo. Desisti de ser veterinário ontem. Não lembro muito da minha infância, muito menos dos desejos que tinha quando era pequeno, se é que tinha desejos. Lembro vagamente do meu tio falando sobre como o mundo era injusto com as pessoas, eu nunca entendia, vim compreender aos 17 quando me apaixonei sem ser correspondido. Não posso dizer que sou uma pessoa infeliz, pois tenho tudo que uma pessoa saudável poderia ter, mas isso basta, uma vez, certa senhora me falou que falicidade provinha de você ter aquilo que sempre deseja. Mas pensando direitinho ninguém pode ser feliz, já que nem todo mundo tem o que deseja, até porque seria muito difícil você ser realizado em sentido profissional, amoroso, econômico, blábláblá. Eu acho que as coisas poderiam ser muito mais fáceis se a felicidade pudesse ser comprada, vinhesse em uma caixa enrolada em um laço, assim todas as pessoas seriam bem-sucedidas sem ter de se preocupar em desejar algo e não ter. Mas talvez a essência que mantenha a vida seja a procura por algo inacessível. Meus planos para a tarde geralmente incluem visitar uma cafeteria aqui perto de casa, eu gosto do ambiente calmo e do cheiro de lá. Gosto também de observar as pessoas e vê a reação delas em algumas situações. Durante a noite eu procuro sempre algo pra assistir na televisão, ou na maioria das vezes procuro ler algum livro, o que é bem mais interessante. Talvez eu devesse ser escritor, mas o que me impede é o fato de eu gostar muito de ser quem eu sou, apesar das minhas desventuras. Resolvi que amanhã eu resolvo o que vou fazer da minha vida, mas por enquanto eu estou pensando se coloco o despertador pra tocar às 07:30 ou 08:00.

- Estevão Eduardo -

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