sexta-feira, 28 de maio de 2010

À salvo

Eu desenho sobre mim retas que não se encontram
Eu derramo ilusões num mar de desejos, às vezes sem querer
Grito nomes que não escutam e que se fazem de surdos ou preferem calar
Rasgo, Tento, Repasso, Trago de volta à tona a vontade ser, querer, estar
Sento por cima do divino e me prosto soberano
Decido que daqui por diante quero a vida mais leve, independente, a brisa que vem do leste
E se eu não te espero é por que talvez eu já tenha ido embora
Eu vou de ônibus e caminho por lugares desconhecidos
Dentro de mim trago cada pedaço dessa cidade, ruas, avenidas, pontes e vilas
Desbravo a vontade que tenho de mergulhar nesse rio que é você
E por vezes sonho em poder entender o real sentido da vida
Comer? Ser comido? Existir é viver? Talvez
E por mais que o silêncio seja a mais bela tradução de todas as palavras
As palavras que têm no silêncio doem mais do que um discurso armado
E as estrelas? Que porra querem as estrelas a mais do que já damos a elas?
Talvez eu seja apenas só, talvez eu derrame menos linhas nessa reta que é a vida
É isso.

- Estevão Eduardo -

Nenhum comentário: