quarta-feira, 7 de abril de 2010

Enquanto estamos em dúvida

Você não precisa se preocupar com sua consciência, você nem ao menos sabe o que é isso. Você não tem que chorar toda noite se sentindo culpado por apenas ser um ser humano. Talvez até quisesse curar meu mal, mas está com uma preguiça interminável que o impossibilita de ver, com os meus olhos, que não, eu não estou bem. Você quis provar pra todos que seu lado é o melhor e que não há outro que se preocupa tanto com o bem-estar alheio quanto ao que você criou. Você não tem pais pra lhe dizer que é feio brincar com as pessoas dessa maneira? Talvez meu castigo seja ter conhecido a moral e ter deixado, de uma só vez, que tudo que você nos ensinou fosse absorvido como àgua na esponja, mas eu to cheio demais pra me sentir devidamente afogado. Lá encima é tão alto que talvez você nos veja tão pequeno quanto devíamos parecer. As pessoas são boas assim mesmo, ou isso tudo é só ilusão? Eu queria que você fosse meu pai, só meu. Queria ir até a biblioteca de nossa casa e contar a você que eu não sou como os outro. Você diria que tudo bem, num estalar de dedos eu estaria totalmente perfeito da forma como você tinha planejado ao saber que eu ia nascer. Não importa o que eu sentisse, ou fizesse, imperfeito assim como eu sou, você daria um jeito de me olhar e concertar tudo em mim. Infelizmente você adotou todos nós e sente agora uma dificuldade imensa em olhar nos meus olhos e se importar com o que talvez possa ocorrer comigo. Tudo bem, tudo ainda está bem, enquanto você estiver apenas me ouvindo, eu estarei apenas falando.

- Estevão Eduardo -

Nenhum comentário: