Eu parei de fazer sentido no momento em que descobri que poderia ser maior do que meus sonhos, quando percebi que finalmente eu respirava e sentia medo por amar outra pessoa. Eu quero fugir e começar a desenhar no céu, com um lápis mágico, o que me dá vontade de dizer e fazer, sem ter que me perguntar se Deus aprova que eu escreva na sua parede pensamentos tão perversos. Só por um instante eu queria me jogar da janela que está atrás de mim e realmente vê se existe um lugar lindo para onde todos os que foram bons vão, ou se eu, de tanto querer e errar, entraria nesse lugar tão perfeitamente idealizado. Eu gostaria de poder calar a voz que grita no meu peito e cessar as lágrimas que dia após dia caem em nome de sua memória. Queria sair de casa sem ter que me preocupar com meus pais e suas vidas limitadas. Ou quem sabe poderia recriar um mundo, dentro do meu próprio quarto, onde pessoas chorariam de alegria por serem extremamente amadas e sorrirem por nunca sentirem o gosto que é amar alguém que não se pode. A minha cama pegaria fogo no momento exato de incosciência que meu corpo traz pra fora de si nos inúmeros sonhos de liberdade que venho tendo. E quem sabe por um momento eu pararia de correr em busca de respostas tão óbvias pra questões tão tolas quanto a existência do amor divino. E pararia imediatamente de rezar esperando que Deus aceite minha condição contrária. Acho que poderia avançar no que chamo de descoberta solo, na qual, independente de todos, eu iria me escutar e fazer tudo que guardei dentro de mim, na escuridão dos meus pesadelos - ou seriam sonhos? Posso voltar a fazer sentido quando essas correntes que me prendem à casa da moralidade se quebrarem diante de todos os desejos que alimento. Isso é tudo pelo qual eu espero.
- Estevão Eduardo -
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