Pequenos monstros. Sob a luz refletora do sol tentam se safar de um dia serem destruídos. Tentam encontrar saídas para problemas diversos. Monstros repugnantes, por que ainda insistem em viver? Querem a todo custo achar um pouco de felicidade para esse insosso dia que começa com o sol machucando-os. Buscam tornar um pouco mais útil suas vidas insignificantes. Procuram em outros de sua espécie algo que lhes traga alegria. O Senhor acredita que eles crêem no Mal? Oh Céus, pobres coitados. Alguns mais espertos e inteligentes acabam com sua própria vida, antes mesmo que o destino, ou um de sua espécie, tão retardado quanto os outros, venha e lhe tire a vida. Outros dedicam a maior parte da sua miserável condição a se dedicar à algum outro. Se tão soubessem que aqui é tudo melhor e mais fácil. Mas felizmente - ou não - eles sempre arranjam uma solução. Maldita inclusão intelectual. Se fossem robôs, e não monstros (ir)racionais, talvez pudessem lidar mais facilmente com o fato de terem um conjunto de ordens a obedecer. Idiotas. Todos tão fadados a ignorância. Alguns até conseguem se libertar do corpo, e através da mente, buscar novas formas de evoluírem. Só alguns. Devemos continuar a guiá-los sem saber pra onde eles vão? Devo contá-lo que alguns, por vezes, cometem atos tão animalescos, que ver por outra, continuo me perguntando realmente se o Senhor não acredita na evolução. Perdoe-me por esta observação, apenas ocorreu-me um fato contraditóro durante algum tempo. E pensando assim, talvez chegue-se à conclusão de que talvez algo, ou alguém lhes conduzam a irracionalidade. Mas enfim, não é do meu departamento investigar esses casos. Chocou-me perceber a fé que eles têm em certas coisas. Coisas essas tão banais. Porque eles choram e se entregam por elas? Porque, na verdade, eles choram por tudo? Imbecis. O Senhor não os criou para que eles chorassem, nem mesmo lhes deu essa opção. Na verdade não lhes deu opção alguma a não ser a de quererem ser monstros ou robôs. Mas eu acho que eles estavam fadados sempre a serem monstros. Monstros que procuram respostas, monstros que querem se sentir completos. Monstros que se alegram de sua condição monstruosa. Definitivamente retardados o suficiente para achar que nos importamos com eles, ou quem sabe, que ouvimos tudo o que falam. Temos que informa-lhes que trabalhamos apenas com robôs, e que por enquanto não lidamos com seres pensantes. Senhor destrua-os logo, não que eu queira acabar com sua diversão, nem muito menos retardar seu horário de lazer, mas está se tornando cada vez mais insuportável ver esses monstros tentando, de alguma forma, sobreviver nesse resto de universo que o Senhor construiu. Dispense-os, imediatamente. Depois talvez se sentir entediado pode criar outros e começar tudo de novo.
- Estevão Eduardo -
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