Porque eu sei a verdade e ela me machuca. Preferia não sabê-la, escondê-la, enterrá-la junto com meus medos. Ela me dói, me sangra pelos poros. Gostaria de estar e ser néscio, assim como todos os outros, renunciar ao certo, não aprender com o errado. Porque assim como a vida é vazia os sonhos também o são, e dá-los uma explicação é retirar o seu brilho, o brilho da mentira, do estar, do ser. Porque minha vida é grande o bastante pra explodir, mas meus sentimentos são tão pequenos, tão menores quanto os queria. E meus medos, todos eles, me doem. A realidade é fria, dura e eu não estou pronto pra nascer, não estou pra renunciar, pra explodir de amor, pra dar início a algo que não me foi dado. E nessa hora inconjunta meus pensamentos se desfazem, correm pra lugar nenhum, sem aviso de chegada, e essa insegurança, essa incerteza me faz morrer aos poucos, desistir aos poucos, viver aos poucos. Migalhas são o que sobram, somente o resto da vida do que poderia ter sido, mas não foi. E eu não canto, não canto porque não amo, pois o amor não me foi dado, o ardor da paixão não me foi entregue, e eu contemplo a tristeza da solidão por não amar, por não ser amado. Talvez amanhã eu anule a verdade, faça a força necessária pra esquecê-la, durma o bastante pra não acordar, junte as horas desconexas e jogue-as no ar. Pois a vida é o vazio maior que alguém pode receber e preenchê-la não é nossa comissão, aceitá-la é a nossa verdade, engoli-la, expeli-la quem sabe. E eu guardo nos olhos essas incertezas, choro para poder entregá-las ao chão, e não grito de dor, pois já não a sinto. E a felicidade passa ao meu lado, dando adeus, cumprimentado-me, olhando em meus olhos, sorrindo um sorriso maroto, traindo-me, mas eu a deixo, ela passa, olha de longe, porque a verdade dói, meus sonhos me fazem querer abraçar a felicidade, mas a verdade não deixa, passa. Tudo isso está guardado, esperando a hora, mas quando será a hora da verdade? Só a felicidade sabe.
- Estevão Eduardo -
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