Meu nojo é o meu ser. Essa porra que nunca chega. Essas palavras soltas que não voltam. Esses olhares sujos de sol. O mar cheirando a mel. O céu coberto de cinza, escrevendo a chuva por cima das nossas cabeças velhas de tanto pensar. E eu estou pouco me fodendo pra tudo isso, eu estou ajudando a mim mesmo, sendo egoísta o suficiente pra ser meu próprio terapeuta. Porque eu não sou eterno, eu não sou o sol se pondo atrás das montanhas, eu sou a nuvem que chora, o passado que nunca passa, eu sou um nada, dentro de um tudo. E se eu escrevo é porque eu não posso falar do que eu sinto, e se eu sinto é porque algo está errado comigo. Deus deveria ter me feito homem o suficiente apenas para sê-lo. Mas agora o tudo é tarde, apenas as horas se passam, mas as dores são ilusões, são coisas da nossa cabeça, são músicas que tocam nos nossos ouvidos, mesmo que não haja quem as cante. Eu sou apenas porque existo, e isso me conforta, existir me conforta, respirar a vida me dói. Só. Mas foda-se, e daí?
- Estevão Eduardo -
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