Às vezes só o silêncio me basta. Às vezes, e são muitas durante um dia, eu fico procurando na imensidão do universo um único motivo para estar aqui, obviamente deve haver alguma alegria nesse exercício que é viver. Mas quando eu olho em direção ao céu, ou ao nada, eu me sinto pequeno, frágil, solitário. Sinto-me longe de cada um, por mais perto que eu esteja. Sinto que ninguém estará ao meu lado quando meus pensamentos começarem a fazer sentido. Penso que o que sinto passará, assim como o vento que acaba de chegar aos meus ouvidos dizendo-me que logo estará indo embora. Vejo que num mar de angústia eu não sou o único a estar se afogando, mas a distância entre cada um é que dirá quem, ao final, sobreviverá. Olhando pro céu eu me pergunto se há uma outra galáxia, igual à esta, em que outro ser, assim como eu, pensa nas mesmas coisas que eu penso, mas de tanto pensar eu canso. Pensar me cansa ao ponto de fazer minha cabeça doer e por fim adormecer, único ponto em que paro de pensar nos "por quês". Cansei de fazer perguntas a Deus, cansei de esperar por respostas que nunca chegam, e por vezes canso de está sempre de malas prontas, mas nunca viajar. Às vezes penso se não estou sendo egoísta, ou quem sabe ingrato com toda felicidade que me é concedida, e aí paro de refletir, finjo uma falsa alegria, danço, canto, bebo e no final da noite durmo. Acordo, e quando abro os olhos, estou eu lá novamente, com os mesmos desejos, com as mesmas preces repetidas, com o mesmo orgulho besta e sempre esmorecendo ao ponto de cair em frente à qualquer novidade que me faça brilhar. E assim caminham os dias, longos em seus minutos, rápidos em sua conjuntura. E o que resta depois de tudo isso? Nada, e é para o nada que estou me direcionando, estou começando à arriscar, ver que é possível quebrar um dia ao meio. Estou passando cinza na vida, sem cor, sem brilho, sem vida. Estou passando aos poucos, rastejando-me, deixando cair ao chão meus objetos mais preciosos, sem volta, sem destino, aos poucos, como todos fazem comigo, sempre aos poucos. Um dia eu chego, um dia eu me encontro com meus próprios pensamentos, um dia oco, de ideias ocas, de perguntas ocas. Eu paro, um dia eu paro de querer fazer sentido, e esse dia será um dia feliz.
- Estevão Eduardo -
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